BOLÍVIA NÃO SE RETIRARÁ DO PACTO ANDINO

O chanceler da Bolívia, Ronald MacLaren, disse ontem que "a Bolívia não se retirará do Pacto Andino, e não pediu ingresso no MERCOSUL". As declarações do chanceler foram para esclarecer versões divulgadas nos últimos dias sobre as intenções bolivianas de aderir ao Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). A versão sobre a suposta decisão boliviana de entrar para o MERCOSUL, ante a crise do Pacto Andino, fora atribuída ao presidente da Argentina, Carlos Menem, que teria recebido tal pedido do presidente da Bolívia, Jaime Paz Zamora.

COTAÇÃO DO DÓLAR NORTE-AMERICANO

Os bancos negociavam ontem o dólar norte-americano para importação e exportação entre Cr$3.446,70 e Cr$3.444,80. No mercado paralelo o dólar teve o preço de Cr$3.700,00 para compra e Cr$3.730,00 para venda em São Paulo. No Rio de Janeiro a Cr$3.690,00 e Cr$3.730,00. O dólar-turismo foi negociado a Cr$3.680,00 para compra e Cr$3.710,00 para venda em São Paulo e a Cr$3.525,00 e Cr$3.665,00 no Rio de Janeiro (GM).

PRESSA PODE SER PREJUDICIAL

O pesquisador da Universidade de São Paulo (USP) Marcos Saraiva Jank esteve durante três anos na Europa, acompanhando de perto a formação da Comunidade Econômica Européia (CEE) e se mostra preocupado ao ver o rumo que o irmão latino-americano da CEE, o MERCOSUL, começa a trilhar. Ele afirma que o principal problema do processo de criação do mercado comum aqui é o curtíssimo prazo que os governantes estão impondo ao processo. Ele explica que a formação da CEE começou na década de 1960 e só está chegando à reta final agora.

PRODUTORES GAÚCHOS TEMEM GRANDES PERDAS

Os produtores gaúchos estão preocupados em dobro com o MERCOSUL, porque a proximidade dos parceiros comerciais reduz os valores dos fretes e aumenta as condições de competitividade dos importados. Conforme o presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (FARSUL), Hugo Eduardo Guidice de Paz, a moeda do MERCOSUL será a produção agropecuária, porque os países vizinhos do Brasil só têm produtos agrícolas para oferecer em troca dos manufaturados da indústria nacional.

SURGE UM NOVO CONTINENTE SUL-AMERICANO

Em janeiro de 1995, quatro países da América do Sul colocarão em prática um plano audacioso de reforma econômica, inspirado na Comunidade Econômica Européia, que poderá redesenhar o mapa de aspectos comerciais do continente. A princípio, cairão por terra as barreiras tarifárias de importação entre Brasil e Argentina. No ano seguinte, Uruguai e Paraguai irão se incorporar a este clube adepto do livre mercado ao derrubar também as proteções alfandegárias.

O CRONOGRAMA PARA CRIAR O MERCOSUL

Agora tudo ou quase tudo está definido. Funcionários dos governos, empresários e trabalhadores, entidades internacionais, investidores estrangeiros e até os céticos e os críticos poderão acompanhar, mês a mês, os passos do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), o ambicioso projeto de integração entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, a ser construído até 31 de dezembro de 1994.

BOLÍVIA DISCUTE SUA ADESÃO

O presidente da Bolívia, Jaime Paz Zamora, não pediu oficialmente o ingresso de seu país no Mercado Comum do Sul (MERCOSUL), no último fim de semana, em Las Len~as, durante reunião presidencial. O assunto chegou a ser discutido na reunião presidencial, mas o pedido ainda não foi formalizado. Segundo fontes do Itamaraty, em nenhum documento originado em Las Len~as consta o pedido, apesar de nos últimos meses ter havido um maior interesse da Bolívia em aderir ao MERCOSUL.

AMÉRICA LATINA TERÁ PODER DE COMPRA DE US$1 TRILHÃO

Até o final deste século, a América Latina terá 530 milhões de habitantes e um poder de compra de US$1 trilhão, comparável ao PIB do Japão, em 1980, e três vezes superior ao PIB do Canadá, em 1990. O comércio internacional dos países latino-americanos atinge US$200 bilhões por ano, sendo US$34 bilhões com os 11 países que integram a Comunidade Econômica Européia (CEE). Já o comércio entre os países do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) cresceu, em apenas um ano de vigência do Tratado de Assunção, entre 1990 e 1991, 36%, atingindo US$4,9 bilhões.

AS NEGOCIAÇÕES DOS BLOCOS

No próximo dia três, os coordenadores do grupo Mercado Comum do MERCOSUL se reunirão com assessores da Comunidade Econômica Européia (CEE), no Rio de Janeiro, para definir a forma de tornar operacional o acordo de cooperação assinado em Santiago do Chile, no final de maio. Vamos definir os pontos focais para os projetos e como se fará a
48093 coordenação entre Bruxelas e os quatro países (Brasil, Argentina, Uruguai

ADIAMENTO DE DEFINIÇÃO SOBRE CÂMBIO PODERÁ PREJUDICAR O PAÍS

A decisão dos presidentes do MERCOSUL de transferir para 1994 definições sobre câmbio, moeda e impostos não agradou os produtores agrícolas brasileiros. É um absurdo deixar o Brasil correr o risco de, em 1993, voltar a sofrer

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