A decisão dos presidentes do MERCOSUL de transferir para 1994 definições sobre câmbio, moeda e impostos não agradou os produtores agrícolas brasileiros. É um absurdo deixar o Brasil correr o risco de, em 1993, voltar a sofrer
48092 os efeitos das distorções criadas pelo câmbio, afirmou Pedro Camargo Neto, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB). A atual situação da economia argentina-- o câmbio está congelado há mais de um ano-- favorece o Brasil. "Hoje, a política cambial da Argentina favorece as exportações brasileiras, mas isso pode mudar no ano que vem e o Brasil ser inundado por produtos agrícolas argentinos", afirmou Camargo Neto. Os produtos mais sensíveis a esta eventual mudança seriam o trigo, arroz, lácteos e hortigranjeiros. A distorção criada pelo câmbio já permitiu, por exemplo, que o Brasil vendesse neste ano cerca de 400 toneladas de queijo para a Argentina, país tradicionalmente exportador de produtos lácteos. Em 1990, uma situação cambial inversa faz com que a Argentina vendesse ao Brasil 19,9 mil toneladas de queijos, segundo informação de Nelson Rangel, diretor da Associação Brasileira das Indústrias de Queijos (Abiq). Isso não é MERCOSUL. O Brasil não está mais competitivo no setor de
48092 derivados do leite e por isso está vendendo queijos à Argentina. A
48092 questão cambial tem que ser uma prioridade, acrescentou o presidente da SRB, para quem o governo está tratando com descaso as negociações dentro do mercado comum. De acordo com estudo do economista Marcos Saxaya Jank, da USP, do total que o Brasil exporta para o MERCOSUL apenas uma média de 6% a 7% equivalem a produtos agrícolas. Já para o Brasil as importações de produtos agrícolas representam 60% do total adquirido nos vizinhos do MERCOSUL (GM).