AMÉRICA LATINA TERÁ PODER DE COMPRA DE US$1 TRILHÃO

Até o final deste século, a América Latina terá 530 milhões de habitantes e um poder de compra de US$1 trilhão, comparável ao PIB do Japão, em 1980, e três vezes superior ao PIB do Canadá, em 1990. O comércio internacional dos países latino-americanos atinge US$200 bilhões por ano, sendo US$34 bilhões com os 11 países que integram a Comunidade Econômica Européia (CEE). Já o comércio entre os países do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) cresceu, em apenas um ano de vigência do Tratado de Assunção, entre 1990 e 1991, 36%, atingindo US$4,9 bilhões. E as exportações brasileiras para os demais integrantes do MERCOSUL (Argentina, Paraguai e Uruguai) tiveram expansão de 77%, muito acima do nível de incremento do comércio mundial. Esses dados, que demonstram o "enorme potencial da América Latina e do MERCOSUL", foram apresentados ontem pelo embaixador Rubens Barbosa, chefe do Departamento de Integração do Ministério das Relações Exteriores, durante seminário sobre comércio internacional, organizado pela Câmara de Comércio Britânica no Brasil, no Rio de Janeiro. Na próxima semana, o embaixador assume a direção da Secretaria de Promoção Comercial e Cooperação Técnica do Itamaraty, consciente de que o prazo estabelecido para o cumprimento do cronograma de integração do MERCOSUL (até dezembro de 1994) é "bem realista. Este cronograma dá um horizonte para os investidores externos na região e para as empresas locais", destacou, ao lembrar que a partir de amanhã as margens de preferência para os produtos incluídos no Tratado de Assunção passarão dos atuais 54% para 61%. "Este tratado vem sendo cumprido passo a passo, sem nenhum retrocesso", lembrou ele. O presidente da Federação das Câmaras de Comércio do Rio Grande do Sul, Anton Biedermann, lembrou que os empresários gaúchos do setor agropecuário estão preocupados com a concorrência argentina, na produção, principalmente, de soja, trigo e arroz. Segundo o governo gaúcho o custo de produção de arroz na Argentina representa 92% do custo de produção gaúcho, disse ele. Biedermann queixou-se ainda do "excesso de burocracia para o transporte rodoviário de cargas entre o Brasil e a Argentina" (GM).