BRASIL NÃO CONSEGUE COMBATER TRÁFICO DE DROGAS

Apesar de 10% de toda a cocaína consumida mundialmente passar pelas suas fronteiras em direção à Europa e EUA, o Brasil está indefeso e despreparado para enfrentar o tráfico de drogas-- há um clima de impunidade, favorecido pelo Poder Judiciário e pela facilidade de "lavar dinheiro" no sistema financeiro. A constatação está em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Os dados foram coletados por pesquisadores no Brasil, coordenados pelo Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas (PNUCD).

COMITÊS DO RIO QUEREM AMPLIAR CAMPANHA

Quatro comitês da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida sediados na zona sul do Rio de Janeiro (capital) criaram um projeto para conseguir emprego e assistência para moradores de comunidades pobres. Esperam, com a iniciativa, conseguir adesão de pessoas que não participam da campanha por achar que a simples distribuição de alimentos não resolve o problema da fome no país. "Queremos a participação de pessoas que criticam a campanha", afirma o economista Maurício de Andrade, do Comitê Rio.

FUNAI É ACUSADA DE INTERMEDIAR TRABALHO ÍNDIO

A Fundação Nacional do Índio (FUNAI) está intermediando contratos para o trabalho de índios nas destilarias e carvoarias de Mato Grosso do Sul. A prática é ilegal (fere o Estatuto do Índio), mas comum na região, segundo funcionários da instituição que já atuaram na área. A justificativa é que os índios não têm como se manter nas reservas e não há outra opção a não ser os trabalhos temporários.

PM DO RJ TEM SETE MIL HOMENS FORA DAS RUAS

A crise na Polícia Militar do Rio de Janeiro, agravada pelas chacinas que tiveram a participação de policiais militares, tem as mesmas características da burocracia da corporação-- complexa, polêmica e bastante pesada, sobretudo no bolso do contribuinte. Com um orçamento previsto este ano em CR$4,490 bilhões, a PM tem cerca de sete mil homens em atividades nos quartéis-- 24% da tropa de 29.500, ou oito batalhões-- distantes da atividade principal da corporação, que é o policiamento nas ruas.

RIO EMPREGA 65 MIL COMO SEGURANÇAS CLANDESTINOS

Vender segurança se tornou uma das atividades mais promissoras no Rio de Janeiro. A cada dia é maior o número de pessoas em busca de segurança, principalmente a clandestina-- mais barata e sem despesas com funcionários. O resultado disso é uma legião avaliada pelo Sindicato dos Vigilantes em cerca de 65 mil pessoas, trabalhando de forma irregular, sem carteira assinada, recebendo menos que o piso da categoria e sem o preparo necessário. As empresas de ônibus também são acusadas de utilizar esse tipo de serviço irregular.

BIRD PROPÕE CRIAÇÃO DE COMITÊ DA MOEDA

A criação de um "currency board" (literalmente, comitê da moeda) foi discutida pelo governo brasileiro no ano passado com o Banco Mundial (BIRD). A informação consta de documento "Dinheiro, Dívida, Inflação e Perspectivas de Mercado no Brasil", preparado pelo economista Leonardo Auernheimer da Universidade do Texas (EUA), que recebeu a chancela do BIRD.

MG USA CORPORAÇÃO PARA AJUDAR MENINOS DE RUA

O comando da Polícia Militar de Minas Gerais atribui ao "laboratório humano" que a instituição mantém desde 1948 os baixos índices de criminalidade registrados no estado. O "laboratório" é um programa destinado a prestar assistência a meninos de rua e moradores de favelas e a humanizar soldados e oficiais da corporação. A PM mineira é considerada a menos violenta do país. Ao se deparar com a miséria dos meninos de rua, os soldados passam a
75594 entender o outro lado da moeda, tornando-se mais humanos e menos

PERNAMBUCO PROCESSA 751 POLICIAIS MILITARES

Entre 1970 e 1991, 751 policiais militares foram acusados por algum tipo de crime em Pernambuco. No mesmo período, a Auditoria Militar abriu 557 processos, dos quais 455 apontavam como suspeitos membros da corporação. Do total de processos abertos, 248 resultaram na absolvição dos acusados. A condenação aconteceu em 61 dos casos. Outros 148 ainda não foram julgados e 78 prescreveram (FSP).

MENORES INFRATORES CRESCE NA CLASSE MÉDIA

Um levantamento feito entre os 4.729 adolescentes atendidos pela Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor em São Paulo (FEBEM) em regime de liberdade assistida mostra que o perfil dos infratores vem mudando desde o início de 1992, quando começou a aumentar o número de casos registrados entre meninos e meninas de classe média. Detidos inicialmente por contravenções mais leves-- como dirigir sem habilitação--, eles passaram a se envolver com drogas e partiram para crimes de maior gravidade, como assalto, latrocínio, estupro e sequestro.

PAÍS JÁ TEM TRÊS MIL COMITÊS PELA CIDADANIA

O Brasil tem hoje 32 milhões de indigentes. Essa massa de famintos se formou nos últimos 15 anos e é produto de anos seguidos de recessão e de falta de políticas públicas. Estas mesmas causas vêm provocando o aumento contínuo da violência. Esta, em síntese, é a análise que o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), faz do país.

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