BRASIL NÃO CONSEGUE COMBATER TRÁFICO DE DROGAS

Apesar de 10% de toda a cocaína consumida mundialmente passar pelas suas fronteiras em direção à Europa e EUA, o Brasil está indefeso e despreparado para enfrentar o tráfico de drogas-- há um clima de impunidade, favorecido pelo Poder Judiciário e pela facilidade de "lavar dinheiro" no sistema financeiro. A constatação está em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU). Os dados foram coletados por pesquisadores no Brasil, coordenados pelo Programa das Nações Unidas para o Controle Internacional de Drogas (PNUCD). Segundo o documento, dissemina-se pela Amazônia o tráfego de pequenos aviões e pistas, servindo aos traficantes, em sua maioria, da Colômbia e Peru. "Essas condições e as dificuldades de se estabelecer um controle e repressão eficientes estimularam o tráfico internacional", diz o texto. A ONU faz críticas ao aparato policial designado para enfrentar o tráfico, devido à falta de pessoal. "Por isso, a inspeção e o controle das fronteiras atingiram níveis inadequados", afirma o documento. A rota do tráfico, segundo o documento, usa a fronteira Norte para o escoamento por ar e terra, passando pela Venezuela, Guiana, Suriname ou Guiana Francesa. Por ar e mar a rota passa pela América Central e ilhas do Caribe. Belém (PA) é o porto de saída para o Atlântico-- e Manaus (AM) tornou-se o elo por ar com os EUA. São feitas críticas também ao Poder Judiciário, que estaria ajudando a impunidade dos traficantes. "Os problemas enfrentados pelo sistema judiciário como a lentidão, a sobrecarga de trabalho e, principalmente, o número insuficiente de casas de detenção e de juízes, beneficiam a impunidade", diz o documento. A ONU afirma que cerca de 80% dos indiciados por tráfico de drogas são soltos antes do julgamento. O documento lembra ainda que a Comissão Parlamentar de Inquérito, no Congresso Nacional, listou 53 mil nomes de indivíduos indiciados nos últimos cinco ano, mas apenas 10% estão presos. Outra crítica refere-se à "ausência de estratégias ou dispositivos" para o controle de lavagem de dinheiro. "A fiscalização deficiente do mercado estimula essa atividade. E as facilidades para a abertura de contas bancárias e a execução de operações financeiras permitem o uso de nomes fictícios e de empresas de fachada" (FSP).