Quatro comitês da Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida sediados na zona sul do Rio de Janeiro (capital) criaram um projeto para conseguir emprego e assistência para moradores de comunidades pobres. Esperam, com a iniciativa, conseguir adesão de pessoas que não participam da campanha por achar que a simples distribuição de alimentos não resolve o problema da fome no país. "Queremos a participação de pessoas que criticam a campanha", afirma o economista Maurício de Andrade, do Comitê Rio. A idéia, explica, é conhecer e ajudar desempregados, crianças em idade escolar que não estudam e pessoas que precisam de atendimento de saúde. Há um mês e meio, os quatro comitês-- da Urca, Flamengo, Laranjeiras e Botafogo-- desenvolvem o Projeto Adoção de Comunidades. Pretendem fazer um levantamento das áreas carentes nesses bairros com ajuda de universitários, comerciantes e empresários. Na semana passada, comitês no Rio distribuíram 586 "cestas emergenciais", com arroz, feijão, macarrão, açúcar e óleo, a seis comunidades pobres dos bairros de Rio Comprido, Santa Teresa, Santo Cristo, Catete e Lapa. Nos últimos quatro meses os 90 comitês no Rio arrecadaram mais de 150 toneladas de alimentos. Um exemplo de organização é o comitê de Botafogo, que a cada semana recebe cerca de 600 quilos de alimentos nas feiras livres e no horto- mercado da COBAL. Cerca de duas mil pessoas participaram ontem, em Salvador (BA), do show Bahia Contra a Fome, organizado pelo movimento Ação da Cidadania Contra a Miséria e Pela Vida, idealizado pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, por sindicatos, associações, CUT e CNBB. Segundo os organizadores, cerca de 15 toneladas de alimentos deveriam ser arrecadados até o final da noite de ontem. O supermercado Superbox e a empresa White Martins doaram 13 toneladas de alimentos. As doações foram entregues ao Comitê Baiano contra a Fome. A distribuição dos alimentos será feita pela CNBB de acordo com as prioridades contidas no "Mapa da Fome" (FSP) (JB).