CARDOSO QUER PACTO NACIONAL CONTRA A INFLAÇÃO

O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, propôs ontem o engajamento dos partidos políticos e da sociedade para a formação de um amplo pacto nacional, com o objetivo de combater a inflação. Segundo ele, as condições são favoráveis à formação de um pacto: "Estamos num bom momento, que permite que todos se juntem". O ministro elogiou a iniciativa do governador de São Paulo, Luiz Antônio Flery (PMDB), e do presidente do PMDB, senador José Fogaça (RS), de propor um pacto nacional com apoio dos partidos, empresários e trabalhadores.

OPERÁRIOS TÊXTEIS CRITICAM MERCOSUL

Os trabalhadores da indústria do vestuário dos países integrantes do MERCOSUL, que se reuniram em seminário internacional em Novo Hamburgo (RS) do último dia 27 até ontem, repudiaram o tratado por achá-lo autoritário e antipopular. Segundo os trabalhadores, que enviaram sua opinião aos presidentes do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, o MERCOSUL "não ouve os trabalhadores" que serão "prejudicados" com o acordo (FSP).

GOVERNO ADIA DEFINIÇÃO DE CORTES NO ORÇAMENTO

O governo decidiu ontem adiar a definição dos cortes no Orçamento para depois das negociações políticas desta semana. O ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, disse que os números finais serão consolidados até três ou quatro de junho e que deverão ultrapassar a previsão inicial de corte de US$2 bilhões (Cr$82 trilhões. "Quando estiver convencido dos números, eu proponho os cortes, mas não de uma forma autoritária, pois iremos apresentá-los aos ministros, à sociedade e ao Congresso", afirmou.

BUROCRACIA EMPERRA O ESFORÇO NACIONAL CONTRA FOME E MISÉRIA

A Campanha Nacional de Combate à Fome e à Miséria mobiliza pessoas de todas as partes do país, mas está sendo prejudicada pela burocracia e falta de organização. Projetos e idéias não saem do papel e a população faminta de 32 milhões de pessoas continua abondonada. Ações do governo paralelas à campanha, destinadas a amenizar o problema, estão emperradas e do outro lado, o das iniciativas populares, ninguém sabe como ir em frente.

LUCROS NO BRASIL ESTÃO ENTRE OS MAIORES DO MUNDO

As empresas brasileiras exibem margens de lucro de três a seis vezes mais altas do que a média mundial. Segundo estudo feito pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), as mil maiores empresas nacionais tiveram margens brutas médias de 36% entre 1985 e 1991. Já a média mundial, calculada pela revista "Fortune", é de 10%. Para o consumidor, o resultado dessas margens elevadas é o aumento desenfreado dos preços, da indústria ao lojista. Uma camisa de tricoline de manga curta, por exemplo, consome 1,60m de tecido, que custa Cr$68 mil ao fabricante.

FORÇA SINDICAL LANÇA "PROJETO" PARA O PAÍS

A Força Sindical, presidida por Luiz Antônio de Medeiros, lança, no próximo dia 17 de junho o livro "Um Projeto para o Brasil". O livro, com 654 páginas, terá tiragem inicial de três mil exemplares. Nele constam depoimentos de políticos, empresários, militares e 30 intelectuais.

PRESIDENTE DA CGT LANÇA NOVO PARTIDO

O presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), Francisco Canindé Pegado, lançou ontem, em São Paulo, o PGT (Partido Geral dos Trabalhadores). Para Pegado, apesar da origem na CGT, o novo partido não representará a "partidarização de um sindicato nem a sindicalização de um partido". Para ele, a principal bandeira será o desenvolvimento social e econômico do Brasil (FSP).

MERCOSUL DISCUTE IMPACTO TRABALHISTA

O Ministério do Trabalho do Uruguai começará a analisar o impacto trabalhista e sociológico que a integração regional terá no mercado de trabalho de suas fronteiras com Argentina e Brasil. As centrais sindicais dos países-membros do MERCOSUL manifestaram sua preocupação com o fluxo migratório de trabalhadores que pode acontecer com a instalação do sistema integrador. César Murillo, presidente da Junta Nacional de Emprego (JNE), disse que, durante a primeira semana de junho, serão definidos os conceitos básicos para levar adiante esta avaliação.

FOME NO RIO DE JANEIRO ATINGE DOIS MILHÕES

Uma multidão de quase dois milhões de indigentes circula pelas ruas do Rio de Janeiro (RJ), de acordo com dados do IPEA. Sem condições de habitação e passando fome, a miséria absoluta faz com que muitos tenham que recorrer ao lixo para sobreviver. É de lá que eles tiram seu sustento-- não só latas, garrafas e papelão, que podem ser vendidos, mas também comida.

DESCASO DO GOVERNO EMPERRA PROJETOS AMBIENTAIS

Um ano depois da realização da Rio-92 o Brasil não conseguiu tirar partido de sua condição de país sede da conferência. Embora novas possibilidades de empréstimos externos tenham sido abertas, verbas liberadas anteriormente continuam sem movimentação por falta de projetos específicos.

Páginas

Subscrever CRDOC RSS