Uma multidão de quase dois milhões de indigentes circula pelas ruas do Rio de Janeiro (RJ), de acordo com dados do IPEA. Sem condições de habitação e passando fome, a miséria absoluta faz com que muitos tenham que recorrer ao lixo para sobreviver. É de lá que eles tiram seu sustento-- não só latas, garrafas e papelão, que podem ser vendidos, mas também comida. "Quando aparece um danoninho no lixão as crianças fazem uma festa", diz Eliane Soares, coordenadora da Escola Comunitária Jardim Gramacho, que todos os dias alimenta 230 crianças do bairro e da favela do Chatuba, em Duque de Caxias. Imagens como essa têm atormentado o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, há quatro meses coordenando a Campanha Nacional conta à Fome e à Miséria no país. Incansável, Betinho percorre o país buscando apoio. Já conseguiu a adesão de grupos que vão desde alunos do Colégio São Vicente, no Rio, até presidentes das maiores estatais do país, como PETROBRÁS, FURNAS e Banco do Brasil. A campanha está apenas começando e na avaliação de Betinho já é um sucesso, mas quando visita áreas carentes, o sociólogo fica deprimido. É como ir ao enterro de um amigo. Nos dias seguintes fico me sentindo sem
74189 vontade de rir, de me divertir, afirma. Dados do Mapa da Fome preparado pelo IPEA mostram que 622.951 famílias do Estado do Rio de Janeiro são indigentes. Desse total, 197.275 moram no Município do Rio. O IPEA considera que cada família tenha em média três pessoas. Com isso, o total de indigentes no estado seria em torno de 1,8 milhão de pessoas. O sonho de Betinho se alastra em comitês pelo Rio a fora. Só no Rio, segundo Lislaine Lago, uma dos quatro funcionários cedidos pelo BB para tocar o projeto, 10 bairros já estão se organizando para colher recursos e transformar em realidade o plano de acabar com a fome no estado (O Globo).