FALTA DE VERBA PODE INVIABILIZAR ACORDOS

Fracassaram as negociações para que os países ricos se comprometessem a aumentar, até o ano 2000, o volume de dinheiro destinado a ajudar o desenvolvimento das nações pobres. O acordo fechado ontem diz apenas que esse acréscimo na ajuda deverá ser dado "tão cedo quanto possível". O parágrafo que previa um Incremento para a Terra"-- US$5 bilhões só para projetos ambientais-- também ficou enfraquecido: os países desenvolvidos se comprometem somente a dar "consideração especial à proposta".

CAMPANHA DE COLLOR TINHA 10 CAPTADORES DE DINHEIRO

Uma rede de pelo menos 10 "captadores" ajudou o empresário Paulo César Farias a arrecadar mais de US$100 milhões para a campanha presidencial de Fernando Collor em 1989. De acordo com o relato de três influentes integrantes do comitê de campanha, PC levantou a quantia, em favor do candidato, através de doações de empresários de todo o país. As contribuições eram feitas preferencialmente em dólares ou em CDBs (Certificados de Depósito Bancário), ao portador-- duas maneiras de doar dinheiro sem deixar rastros.

MOTTA VEIGA DENUNCIA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Em entrevista à revista "Veja" desta semana, o ex-presidente da PETROBRÁS, Luís Octávio da Motta Veiga volta a fazer sérias acusações ao empresário PC Farias. Reafirma que PC conduzia, nos bastidores, o tráfico de influência no governo, principalmente na PETROBRÁS. Motta Veiga insinuou também que o secretário-geral da Presidência, Marcos Coimbra, defendia os mesmos interesses em nome do governo.

CPI COMPROVA LIGAÇÃO DE PC COM SEUS TESTAS-DE-FERRO

Os documentos que já estão em poder da PCI do Congresso Nacional sobre as atividades de Paulo César Farias, o PC, comprovam a ligação ente o ex- tesoureiro de campanha do presidente Fernando Collor e três de seus principais testas-de-ferro denunciadas por Pedro Collor, irmão do presidente. PC é sócio do comandante Jorge Bandeira de Melo na Brasil Jet Táxi-Aéreo. Bandeira, por sua vez, relaciona-se com Ironildes A.

JAPÃO ANUNCIA EMPRÉSTIMOS AO BRASIL

O embaixador do Japão no Brasil, Yasushi Murazumi, informou ontem ao ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, que seu país vai emprestar ao país US$780 milhões para projetos ambientais. Desse montante, cerca de 30% serão para a construção do sistema de esgoto na Baía de Guanabara (RJ). A maior parte do empréstimo, cerca de US$390 milhões, foi destinada à despoluição do Rio Tietê (SP). O Japão anunciou, ainda, um empréstimo de pouco mais de US$150 milhões para construção de usina de tratamento de lixo na área metropolitana de São Paulo.

INICIATIVA PRIVADA ASSUME A INFRA-ESTRUTURA

Os empresários não estão mais dispostos a esperar pelo governo. Conscientes de que o setor público, descapitalizado, não tem como investir, decidiram eles mesmos financiar obras de infra-estrutura. Somente este ano, os investimentos do empresariado privado nessa área-- tradicionalmente bancados pelo governo-- vão superar US$700 milhões. O BNDES é o parceiro destes empreendimentos.

COLLOR DISCURSA NO ENCERRAMENTO DA REUNIÃO DE CÚPULA DA RIO-92

Num duro discurso, no encerramento da reunião de cúpula da Rio-92, o presidente Fernando Collor disse aos chefes de Estado e de governo que o fim da devastação causada pela fome é "tão ou mais importante" quanto a preservação da natureza. "Enquanto houver fome, não haverá paz definitiva", pregou. Segundo Collor, "o modelo econômico das nações superdesenvolvidas deve ser repensado, pois parece ambientalmente inviável e não pode servir de parâmetro para o futuro, quer do Norte, quer do Sul".

PRIMEIRA-MINISTRA DA NORUEGA FALA NA RIO-92

No mais objetivo e aplaudido discurso da primeira sessão plenária de ontem, a primeira-ministra da Noruega, Gro Brundtland, afirmou que seria bastante franca sobe os resultados da Rio-92. "Progresso em muitos campos, muito pouco progresso na maioria dos campos e nenhum progresso em alguns campos", definiu ela. As duas convenções abertas a assinaturas-- Alterações Climáticas e Biodiversidade-- têm de se tornar mais efetivas: elas não funcionarão, a menos que os principais países as assinem,

EUA PROMETEM APOIAR NEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

O presidente dos EUA, George Bush, prometeu ao ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, apoiar o Brasil em suas negociações com os bancos credores privados. O encontro entre as duas autoridades, que se conhecem desde 1985, ocorreu durante jantar oferecido pelo presidente Fernando Collor ao presidente norte-americano, no Palácio Laranjeiras, no último dia 12. Segundo o ministro, Bush prometeu intensificar o acompanhamento das negociações através da coordenação com o Tesouro e com o Federal Reserve (FED, banco central dos EUA).

ÍNDIOS PROPÕEM CRIAÇÃO DE ESTADO

A série de surpresas causada pelos índios brasileiros durante a Rio-92 ainda não acabou. Eles começam em 1993-- Ano Internacional dos Povos Indígenas-- a ofensiva para resgatar perdas sofridas com 500 anos de colonização. Entre suas propostas mais polêmicas, estão o acesso a universidades sem vestibular, a criação de um estado indígena e a gestão da FUNAI. "Cansamos de ser tutelados", justifica Marcos Terena, coordenador-geral do Comitê Inter-Tribal criado para organizar o encontro na aldeia Kari-Oca.

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