MOTTA VEIGA DENUNCIA TRÁFICO DE INFLUÊNCIA

Em entrevista à revista "Veja" desta semana, o ex-presidente da PETROBRÁS, Luís Octávio da Motta Veiga volta a fazer sérias acusações ao empresário PC Farias. Reafirma que PC conduzia, nos bastidores, o tráfico de influência no governo, principalmente na PETROBRÁS. Motta Veiga insinuou também que o secretário-geral da Presidência, Marcos Coimbra, defendia os mesmos interesses em nome do governo. Morando em Londres (Inglaterra), o ex-presidente da PETROBRÁS desembarcará brevemente em Brasília (DF), para depor na CPI do Congresso que apura as acusações contra PC. Eu acho que os padrões éticos do governo Collor estão abaixo do que se
47669 espera. Acho que ele não resiste incólume a investigações sérias, diz Motta Veiga na entrevista. Ele cita os nomes de PC Farias, Sérgio Rocha e Cláudio Vieira como representantes do esquema paralelo de tráfico de influência. Mas a primeira intervenção direta partiu de PC, segundo Motta Veiga, num processo de concorrência para o fornecimento de uma plataforma submarina para o Campo de Enchova-- algo em torno de US$250 milhões. PC queria saber quem ganharia a concorrência, entre três grandes empresas: Tenenge (da Odebrecht), Andrade Gutierrez e Mendes Júnior. "Quando o Conselho da PETROBRÁS ficou com a Tenenge, eu liguei para o Emílio Odebrecht e disse-lhe que a decisão fora técnica, sem qualquer influência do Paulo César Farias. Se der dinheiro, vai dar porque quer". O ex-presidente da PETROBRÁS contou que, em seguida, veio o caso VASP, que devia US$6 milhões à PETROBRÁS. PC cuidava dos interesses de Wagner Canhedo, interessado na compra da empresa, que estava sendo privatizada. Motta Veiga citou ainda o embaixador Marcos Coimbra no caso. "Ele queria saber como estava o negócio. Disse-lhe que o corpo técnico da empresa desaconselhava a operação. Lembro-me da sua reação: Iss vai lhe dar um problema tremendo. Há um grande interesse do Planalto para que o processo de privatização da VASP vá em frente". Revelou também detalhes de pedidos de Pedro Paulo Leoni Ramos (ex-SAE) e Cláudio Vieira (ex-secretário particular). Leoni apresentou uma lista de 13 nomes com candidatos a diretorias na PETROBRÁS; Vieira pediu que campanhas de publicidade fossem encaminhadas a agências de sua preferência (O Globo).