CAMPANHA DE COLLOR TINHA 10 CAPTADORES DE DINHEIRO

Uma rede de pelo menos 10 "captadores" ajudou o empresário Paulo César Farias a arrecadar mais de US$100 milhões para a campanha presidencial de Fernando Collor em 1989. De acordo com o relato de três influentes integrantes do comitê de campanha, PC levantou a quantia, em favor do candidato, através de doações de empresários de todo o país. As contribuições eram feitas preferencialmente em dólares ou em CDBs (Certificados de Depósito Bancário), ao portador-- duas maneiras de doar dinheiro sem deixar rastros. A rede de PC, segundo os informantes, cobria todo o Brasil, menos São Paulo. O maior estado da Federação era território do primeiro-irmão, Leopoldo Collor, que tinha sua própria rede, nela incluída o ex- secretário de Desenvolvimento Regional Egberto Batista. Os "captadores" faziam o primeiro contato com o empresário doador, mas somente PC e Leopoldo estavam autorizados a receber os dólares ou CDBs. Os três informantes concordaram com a avaliação feita por Pedro Collor de Mello, também irmão do presidente, de que teriam sido gastos apenas 60% ou 70% do dinheiro captado na campanha. Por essas contas, o saldo, ao final do segundo turno, teria sido de mais de US$30 milhões. Segundo os relatos, a rede de PC era formada pelo ex-secretário de Assuntos Estratégicos Pedro Paulo Leoni Ramos (Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso), Paulo Octávio Pereira e Luís Estêvão de Oliveira (Brasília), o ex-ministro da Educação Carlos Chiarelli (Rio Grande do Sul), o ex- deputado José Carlos Martinez (Paraná), o ex-governador João Castelo (Norte do país), o empresário Luís Calheiros (Nordeste), o ex-presidente da TVE Leleco Barbosa, o publicitário Juca Colagrossi e o atual presidente da TELERJ, Eduardo Consentino, no Rio de Janeiro. Uma das principais contas da campanha era administrada por PC Farias através da EPC (Empresa Participações e Construções), com sede em Maceió (AL). Era um artifício necessário, pois PC, respondendo a inquérito por fraude no Banco Central, não podia ter talão de cheques (O Globo).