PRIMEIRA-MINISTRA DA NORUEGA FALA NA RIO-92

No mais objetivo e aplaudido discurso da primeira sessão plenária de ontem, a primeira-ministra da Noruega, Gro Brundtland, afirmou que seria bastante franca sobe os resultados da Rio-92. "Progresso em muitos campos, muito pouco progresso na maioria dos campos e nenhum progresso em alguns campos", definiu ela. As duas convenções abertas a assinaturas-- Alterações Climáticas e Biodiversidade-- têm de se tornar mais efetivas: elas não funcionarão, a menos que os principais países as assinem,
47664 ratifiquem e implementem. Para ela, as nações reunidas no Rio de Janeiro deixaram de de tratar, com a seriedade exigida, de questões "extremamente importantes", entre elas a necessidade de um comércio mais aberto e seus impactos no meio ambiente e no desenvolvimento dos países pobres. Brundtland não poupou críticas aos países ricos, por sua timidez na questão do financiamento da nova ordem ambiental. Em seu discurso no plenário da Rio-92, o primeiro-ministro da Espanha, Felipe Gonzáles, disse que "não se pode pedir aos países do Terceiro Mundo que estabilizem suas escassas emissões de dióxido de carbono enquanto nós, que criamos o problema, não contribuirmos de maneira decisiva para resolvê-lo. Gonzáles destacou que o consumo energético é o maior fator de contaminação e lembrou que três quartos das fontes mundiais de energia estão nos países industrializados. A tese do aumento da diferença entre países ricos e pobres foi reconhecida pelo chanceler federal da Áustria, Franz Vranitski. "A mortalidade infantil decresce, a expectativa de vida do homem aumenta, um número maior de pessoas tem acesso à educação, mas a lacuna entre países desenvolvidos e em desenvolvimento aumenta", disse. Para ele, a Rio-92 dará à humanidade a chance de reverter esse desequilíbrio (JB).