A série de surpresas causada pelos índios brasileiros durante a Rio-92 ainda não acabou. Eles começam em 1993-- Ano Internacional dos Povos Indígenas-- a ofensiva para resgatar perdas sofridas com 500 anos de colonização. Entre suas propostas mais polêmicas, estão o acesso a universidades sem vestibular, a criação de um estado indígena e a gestão da FUNAI. "Cansamos de ser tutelados", justifica Marcos Terena, coordenador-geral do Comitê Inter-Tribal criado para organizar o encontro na aldeia Kari-Oca. Terena adianta que os índios vão tentar incluir na reforma constitucional emenda criando um novo estado brasileiro, formado pela união (simbólica) dos territórios aborígenes. Este estado seria administrado por um governador eleito pelas 180 tribos que habitam o país, teria bancada própria no Congresso e seria mantido com recursos da receita tributária nacional. Segundo Terena, os índios também já fecharam acordo de intercâmbio com a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), segundo o qual professores da universidade poderão visitar aldeias para "prestar assessoria" em diversos campos. Em contrapartida, os índios comprometem-se a dar cursos na UERJ sobre aproveitamento de recursos naturais e cultura indígena (JB).