ONU DIZ QUE 786 MILHÕES DE PESSOAS PASSAM FOME NO MUNDO

O número de pessoas que passam fome diminuiu nos últimos 20 anos. Apesar disso, 786 milhões de pessoas ainda não têm o que comer: 192 milhões delas são crianças. Os dados constam de informe divulgado ontem pela Organização de Alimentos e Agricultura (FAO), uma agência da ONU. O documento contém outro dado significativo, ainda que irônico: países ricos, em especial os EUA, também apresentam problemas de nutrição. Só que por excesso de alimentação.

MARCÍLIO REAFIRMA AO FMI A META DE ABRIR MERCADO

Em discurso proferido ontem aos países-membros do FMI, reunidos em Washington (EUA), o ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, disse que apesar da crise política brasileira, o país vem tomando providências para abrir seu mercado e atrair o capital estrangeiro. Fazendo referência indireta à ameaça de retrocesso comercial apresentada por alguns países europeus, ele alertou que tais esforços, comuns aos países em desenvolvimento, ficarão comprometidos, se não acompanhados pelos parceiros industrializados.

ABRAS DIZ QUE ESTOQUE CARO NÃO BAIXA PREÇO DOS ALIMENTOS

O presidente da Associação Brasileira dos Supermercados (ABRAS), Levy Nogueira, afirmou ontem que o governo federal está sem condições de pôr seus estoques reguladores no mercado a preços competitivos para conter a alta dos produtos agrícolas, acentuada nos últimos dois meses, em consequência do agravamento da crise política. Os custos financeiros do estoque e da armazenagem impediram que o governo oferecesse preços mais favoráveis aos varejistas.

PRESIDENTE DA OAB DIZ QUE NÃO HÁ CIDADANIA SEM ÉTICA

Recuperação da cidadania e da dignidade do país foi o tema central do discurso que o presidente do Conselho Federal da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Marcelo Lavene`re, fez ontem na abertura da 14a. Conferência da OAB, em Vitória (ES). No discurso, ele diz que "cidadania como queremos supõe Constituição respeitada, ética na política, confiabilidade das instituições; supõe participação, acesso efetivo à justiça e aos bens da vida. Cidadania é educação, teto, terra, trabalho e pão", afirmou. No discurso, ele propôs o resgate da cidadania.

MUDANÇA NO ESTATUTO FACILITA FISIOLOGISMO

Uma estratégica mudança nos estatutos da Fundação Banco do Brasil permitiu que o presidente da entidade, e do Banco do Brasil, Lafaiete Coutinho, tivesse ainda mais poderes para liberar verbas destinadas ao aliciamento de parlamentares, reduzindo controles em sua tramitação. A alteração foi realizada com a autorização do presidente Fernando Collor. Até o dia 24 de fevereiro deste ano, as doações da Fundação tinham de ser apreciadas por um "Conselho Técnico", previsto no artigo 19.

BRASIL TESTARÁ VACINA CONTRA AIDS EM 1994

O Brasil estará pronto para testar vacinas experimentais contra a AIDS somente em 1994. A previsão é da coordenadora-geral do Programa Nacional de Controle da AIDS, Lair Guerra de Macedo. Ela deu a informação anteontem, em Brasília (DF), no final do encontro que discutiu o projeto preliminar de pesquisa (FSP).

ITAMAR PROMETE ATENDER RURALISTAS

Para apear o presidente Fernando Collor do poder, a bancada ruralista no Congresso exigiu do vice-presidente Itamar Franco que o PT não venha a assumir o comando do Ministério da Agricultura e da Reforma Agrária. Num eventual governo Itamar, os ruralistas pretendem manter a produção como prioridade. "Com o PT, não dá, porque vem esse negócio de reforma agrária", afirma o deputado Luiz Girão (PDT-CE), que esteve na semana passada com Itamar e obteve sinais de que a exigência será cumprida.

CRISE AFETA ROLAGEM DA DÍVIDA PÚBLICA

O desfecho da crise política colocará a equipe econômica do governo diante de um impasse, causado pela deterioração das relações financeiras entre União, estados e municípios. A lei de rolagem da dívida dos estados e municípios, que resolveria o elevado endividamento de US$30 bilhões entre governos, perde a validade no final do ano. Uma tentativa de entendimento em torno da renegociação desse débito implicará nova legislação.

DESOBEDIÊNCIA CIVIL ATINGE O GOVERNO NO COFRE

Uma silenciosa revolução vem minando, desde o início do governo Collor, o cofre do Tesouro Nacional. Através de contestações judiciais ou sonegação, empresas iniciaram um movimento de desobediência civil que já reduziu a arrecadação tributária ao nível mais baixo nos últimos anos, devendo contabilizar no final do ano uma diminuição real de 25% em relação a 1990.

OPOSIÇÃO PREVÊ CAOS SE COLLOR FICAR

A consequência da derrota do Impeachment" do presidente Fernando Collor será a guerra entre oposição e governo. Dominados pelos partidos oposicionistas, o Congresso Nacional partirá imediatamente para a retaliação, recusando-se a aprovar o orçamento da União para 1993. No cenário que os estrategistas da oposição desenham, Collor, isolado, com a máquina administrativa paralisada pela falta de dotação orçamentária e mais de dois anos de mandato pela frente, só terá a alternativa da negociação.

Páginas

Subscrever CRDOC RSS