OPOSIÇÃO PREVÊ CAOS SE COLLOR FICAR

A consequência da derrota do Impeachment" do presidente Fernando Collor será a guerra entre oposição e governo. Dominados pelos partidos oposicionistas, o Congresso Nacional partirá imediatamente para a retaliação, recusando-se a aprovar o orçamento da União para 1993. No cenário que os estrategistas da oposição desenham, Collor, isolado, com a máquina administrativa paralisada pela falta de dotação orçamentária e mais de dois anos de mandato pela frente, só terá a alternativa da negociação. Mas os líderes do governo duvidam de que o presidente aceite o jogo da oposição. Vai enfrentar o Congresso, pois estará com a credibilidade resgatada pela absolvição. O PT vai impedir a continuidade deste governo, avisa o deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), ao comentar a possibilidade da permanência de Collor. Adeus orçamento, reforma fiscal e projetos de modernização da economia, completa o também deputado petista José Genoíno. Ex-integrante do ministério Collor, o senador Jarbas Passarinho (PDS-PA) também visualiza um cenário caótico. "Vai ser uma guerra total. Qualquer solução vai exigir uma extraordinária capacidade de administrar o país", afirma. O tamanho do caos, segundo Passarinho, vai depender do número de votos que o presidente reunir para barrar o Impeachment" (JB).