MARCÍLIO REAFIRMA AO FMI A META DE ABRIR MERCADO

Em discurso proferido ontem aos países-membros do FMI, reunidos em Washington (EUA), o ministro da Economia, Marcílio Marques Moreira, disse que apesar da crise política brasileira, o país vem tomando providências para abrir seu mercado e atrair o capital estrangeiro. Fazendo referência indireta à ameaça de retrocesso comercial apresentada por alguns países europeus, ele alertou que tais esforços, comuns aos países em desenvolvimento, ficarão comprometidos, se não acompanhados pelos parceiros industrializados. O ministro listou, em seu pronunciamento, uma série de "conquistas brasileiras em direção à liberdade de mercado", como liberação de preços, redução das tarifas aduaneiras, e a privatização de 14 empresas públicas, sustentadas por uma política fiscal e monetária rígida. Prometeu uma reforma fiscal que, "de uma outra forma", será efetivada no Brasil até o final do ano e destacou a breve conclusão para o problema da dívida externa. A linha política do discurso do ministro seguiu o tom dado pelo grupo dos 24 países endividados, do qual o Brasil faz parte, e está de acordo com a filosofia liberal defendida ontem pelo secretário do Tesouro norte- americano, Nicholas Brady, em pronunciamento feito na reunião do comitê interino do FMI. "Se nós não podemos construir economias fortes e aderir aos princípios do livre mercado, não podemos esperar que os países que estão executando reformas os adotem", disse Brady. Reafirmando a posição do grupo dos 24, Marcílio disse que se os países industrializados adotarem políticas protecionistas de seus mercados, os do Terceiro Mundo, que estão promovendo a abertura comercial, ficarão em desvantagem, porque abrirão suas economias à importação, sem a contrapartida de criarem mercado para suas exportações junto aos desenvolvidos (O Globo) (JB).