CAPITAL ESTRANGEIRO NA PRIVATIZAÇÃO

O programa de privatização do Brasil ainda não decolou fora do país. O capital estrangeiro participou até agora com apenas US$223,7 milhões, de um total de US$5,18 bilhões arrecadados com a venda de 20 empresas. O número corresponde a 4,31% do valor arrecadado. O capital estrangeiro só pode comprar até 40% de cada empresa privatizada. Em termos de redução da dívida externa, o resultado do programa até agora foi ainda mais tímido.

FALTA DE HOMEM AMEAÇA EXTINGUIR TRIBO NO AMAZONAS

A tribo de índios jumas, que vive no Médio Perus (AM), pode estar perto da extinção. Segundo o índio Valmir Parintintin, 19 anos, do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) em Porto Velho (RO), o único grupo localizado desses índios tem apenas sete sobreviventes. Eles não podem se reproduzir porque não há homens em idade de acasalamento. O grupo procura índios com quem as meninas possam se casar. A FUNAI (Fundação Nacional do Índio) suspeita que possa existir outro grupo de jumas, mas não há confirmação (FSP).

PRIVATIZAÇÕES RENDERAM US$5,071 BILHÕES

Os leilões das 21 empresas já privatizadas desde outubro de 1991 até agora renderam ao governo US$5,071 bilhões (cerca de Cr$135,9 trilhões). Há 42 empresas, cujo valor total não se sabe, aguardando a venda, pois já foram incluídas por decreto presidencial no Programa Nacional de Desestatização (PND). Entre elas, há muitos casos complicados, com processos de privatização polêmicos e com leilões que podem vir a ser adiados. O próximo, por exemplo, deverá cercar-se de grande batalha.

MENORES NO MERCADO DE TRABALHO EM SÃO PAULO

Diariamente uma legião de cerca de 600 mil crianças deixa os bairros periféricos de São Paulo para trabalhar como "office-boys", mensageiros, entregadores, engraxates e empacotadores nos bairros mais ricos da cidade. Originárias da camada mais pobre da população-- um contingente de 3,3 milhões de pessoas na região metropolitana--, essas crianças e adolescentes, com idade variando entre 10 e 17 anos, arcam com até 30% do orçamento familiar, que raramente ultrapassa 4,5 salários-mínimos.

CENTRAIS SINDICAIS ESPERAM ARRECADAR US$41,5 MILHÕES ESTE ANO

A adoção de uma administração profissional fez com que as centrais sindicais do país se transformassem em "lucrativas empresas". A CUT (Central Única dos Trabalhadores), a Força Sindical e a CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) esperam arrecadar este ano, em conjunto, US$41,5 milhões (cerca de Cr$1,26 trilhão, pelo câmbio paralelo), provenientes das taxas de 5% dos sindicatos e das contribuições voluntárias dos trabalhadores.

GOVERNO NÃO SABE ONDE ESTÃO SEUS SERVIDORES

Com 1,3 milhão de servidores, o governo federal não sabe sequer precisar onde eles estão lotados: na LBA (Legião Brasileira de Assistência) do Rio de Janeiro, por exemplo, muitos ficam parados por falta de trabalho; já na LBA de Tocantins, os projetos foram suspensos por escassez de mão- de-obra. Em São Paulo, a Receita Federal tem somente 759 fiscais-- uma empresa é visitada, em média, duas vezes em 50 anos (O Globo).

EMPRESÁRIOS PREFEREM QUE GOVERNO NÃO FAÇA PLANO

Diante de sinais de reativação dos negócios, empresários começam a considerar positiva a ausência de um plano econômico do governo federal. O diretor do Departamento de Economia da FIESP, Boris Tabacof, acha que, embora tênue, o ritmo de crescimento pode se manter nos próximos meses, desde que o governo não interfira (O ESP).

INDÚSTRIA DA SECA CONSOME US$1 BILHÃO POR ANO

A Indústria da seca" movimenta, segundo levantamento no registro de gastos das últimas duas décadas, uma média de quase US$1 bilhão a cada ano de estiagem no Nordeste. Os gastos, de acordo com estudos técnicos do governo federal, não têm resultado em efeitos contra a miséria na região. Sem planejamento e apenas voltada para fazer funcionar os esquemas eleitorais, a maioria das obras, como as pequenas barragens, por exemplo, se desmancham sempre nas primeiras chuvas. O sertão do Nordeste virou um cemitério de obras abandonadas ou paralisadas pelo governo federal.

METADE DO IR NA FONTE NÃO CHEGA AOS COFRES DA UNIÃO

Metade do Imposto de Renda que as empresas descontam na fonte dos trabalhadores não chega aos cofres do Tesouro Nacional. Ou seja, para cada Cr$2,00 que saem do contracheque, apenas Cr$1,00 é repassado à União. O restante é usado pelas empresas como capital de giro ou simplesmente para reduzir o salário dos empregados. A revelação é da Receita Federal, que indica como "campeões" desta apropriação indébita bancos de investimento, empresas de seguros, corretoras de títulos e valores e comércio atacadista, entre outros.

RICOS GANHAM 27,3 VEZES MAIS QUE POBRES NO BRASIL

O Brasil é um campeão na disparidade de renda. A recessão dos anos 80-- que se prolonga até hoje-- empurra cada vez mais pobres e ricos para os extremos da pirâmide social. Os 20% mais ricos do país detêm uma renda 27,3 vezes superior à dos 20% mais pobres. Este quadro é mais grave do que em Botsuana, um país paupérrimo do Sul da África. Em situação muito melhor do que o Brasil, em termos de distribuição de renda, estão Colômbia, Peru, Guiné e Costa do Marfim.

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