A Indústria da seca" movimenta, segundo levantamento no registro de gastos das últimas duas décadas, uma média de quase US$1 bilhão a cada ano de estiagem no Nordeste. Os gastos, de acordo com estudos técnicos do governo federal, não têm resultado em efeitos contra a miséria na região. Sem planejamento e apenas voltada para fazer funcionar os esquemas eleitorais, a maioria das obras, como as pequenas barragens, por exemplo, se desmancham sempre nas primeiras chuvas. O sertão do Nordeste virou um cemitério de obras abandonadas ou paralisadas pelo governo federal. Um levantamento preliminar de técnicos da equipe de Itamar Franco já contabiliza a existência de pelo menos 50 construções e projetos de irrigação esquecidos no meio da caatinga. Situada numa região onde as pessoas chegam a andar até três quilômetros para buscar água, a barragem de Umburanas, no Município de Santa Maria da Boa Vista (PE), é um desses amontoados de concreto e cimento produzidos pela falta de planejamento do governo. A barragem deveria ter sido concluída desde o ano passado. No último dia cinco, no entanto, nenhum operário trabalhava no local. O governo deve gastar até o final da obra, que não tem previsão, cerca de Cr$40 bilhões, em valores atualizados. O abandono dos projetos do governo produz ainda, nessa região, bolsões de miséria e marginalidade. Com um atraso de quase cinco anos, um agrupamento que reúne hoje 30 mil pessoas espera pela conclusão das obras de assentamento para famílias que foram despejadas devido a construção do lago de Itaparica, em Pernambuco (FSP).