CAPITAL ESTRANGEIRO NA PRIVATIZAÇÃO

O programa de privatização do Brasil ainda não decolou fora do país. O capital estrangeiro participou até agora com apenas US$223,7 milhões, de um total de US$5,18 bilhões arrecadados com a venda de 20 empresas. O número corresponde a 4,31% do valor arrecadado. O capital estrangeiro só pode comprar até 40% de cada empresa privatizada. Em termos de redução da dívida externa, o resultado do programa até agora foi ainda mais tímido. Do total de US$4,13 bilhões já pagos pelas empresas privatizadas, apenas US$69,3 milhões foram pagos em títulos da dívida externa, quase nada em relação aos mais de US$100 bilhões que o país deve no exterior. As explicações são muitas. Para os técnicos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o problema é que as empresas leiloadas até agora, todas do setor industrial, não estão interessando aos investidores estrangeiros. Eles argumentam que esses investidores aumentarão o interesse quando estiverem à venda as empresas de setores como telecomunicações e energia elétrica. Até agora a USIMINAS foi a que obteve maior captação de recursos estrangeiros, num total de US$66 milhões. O valor arrecadado em leilão correspondeu a 5,9% do valor da empresa. A menor participação estrangeira foi no leilão da CST (Companhia Siderúrgica de Tubarão), com apenas US$200 mil. No último leilão realizado, o da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional), o capital estrangeiro comprou 1,4% do capital da empresa, equivalente a US$24,4 milhões (FSP).