PRESIDENTE DO CHASE FALA SOBRE O PLANO COLLOR

O presidente do Banco Chase Manhattan no Brasil, Peter Anderson, disse ontem, em Porto Alegre (RS), que o Plano Collor "atende o equacionamento interno da economia", o que credencia o governo brasileiro na renegociação da dívida externa. O Chase é credor de US$2,4 bilhões do Brasil. No ano passado o banco teve um lucro de US$20 milhões no Brasil, onde mantém 1.450 funcionários. A eventual recessão não impedirá que o banco invista US$8 milhões em automação. Foram adiados, no entanto, projetos que consumiriam US$30 milhões (FSP).

COLLOR ADMITE NEGOCIAR DÍVIDA SEM PRÉ-CONDIÇÃO

O presidente Fernando Collor disse ontem, em Brasília, que o Brasil está disposto a "sentar à mesa (de negociação) sem nenhum tipo de posição unilateral". A dívida será paga "convenientemente dentro de juros e prazos que nós iremos estabelecer dentro dessa renegociação". A posição do presidente contrasta com a apresentada durante a campanha, quando defendia a fixação de um limite anual de 1,5% a 2% do PIB (Produto Interno Bruto)-- o que daria de US$5 bilhões a US$7 bilhões-- para o envio de recursos destinados ao pagamento de juros da dívida externa (FSP).

CONGRESSO APRESENTA 2.881 EMENDAS AO PLANO COLLOR

Os deputados e senadores apresentaram 2.881 emendas às 26 medidas provisórias que compõem o Plano Collor. A medida 168, que introduz a reforma monetária e fixa os limites para o saque da caderneta de poupança, conta corrente e aplicações no "overnight", recebeu o maior número de emendas: 914. A maioria dos parlamentares propôs a elevação do limite dos saques da caderneta de poupança, fixado em Cr$50 mil. Cerca de 80 emendas tratam da liberação de recursos para a produção agropecuária (FSP).

INQUÉRITO SOBRE A INVASÃO DO JORNAL FOLHA DE SÃO PAULO

O inquérito instaurado pela Polícia Federal de São Paulo para investigar denúncia contra a empresa Folha da Manhã S/A, que edita este jornal, será enviado à Justiça Federal. A decisão do governo em declarar nulas as medidas provisórias nos. 153 e 156 levou a PF a remeter este e outros inquéritos, que apuram violações ao Plano Collor, à Justiça Federal, mesmo sem estarem concluídos. "A Justiça Federal vai decidir se terão prosseguimento ou se serão arquivados", informou o delegado federal Itanor Neves Carneiro (FSP).

PARTIDOS DE ESQUERDA CRITICAM O PLANO COLLOR

O PT, PDT, PSB e PC do B decidiram ontem, em Brasília, organizar um Movimento Nacional de Oposição Democrática e Popular para combater as medidas econômicas baixadas pelo presidente Fernando Collor. As lideranças dos partidos discutiram as estratégias para derrubar o plano econômico no Congresso Nacional. Participaram da reunião o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola e o deputado federal Luís Inácio da Silva. Os partidos pretendem forçar uma discussão mais ampla das medidas nas comissões e no plenário "para poder impor algumas mudanças no pacote".

SERVIDORES VÃO PROPOR GREVE GERAL EM ABRIL

Representantes dos funcionários públicos de todo o país devem encaminhar à direção nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores) uma proposta de greve geral a partir da segunda quinzena de abril. Os servidores de empresas estatais e da administração direta querem que a CUT convoque uma plenária nacional para o dia 15 de abril para discutir um "estado de alerta rumo à greve geral", em protesto contra o Plano Collor. Cerca de 120 entidades dos servidores estão reunidas desde ontem, em Brasília, para acertar o combate ao plano.

SAE REDUZ EM 25% O APARATO DO SNI

O efetivo da nova Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) será composto por menos de 25% dos quadros do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), que ela substitui. Dos quatro mil funcionários do SNI restarão apenas cerca de 800. A Agência Central do SNI, em Brasília, terá sua lotação diminuída de 800 para cerca de 190 funcionários. Contudo, a mudança mais importante não pode ser quantificada: é a substituição dos militares pelos civis, que vem sendo feita com rapidez e causando alguns descontentamentos na área militar.

ATENDIMENTO MÉDICO AOS ÍNDIOS ESTÁ PARADO

A operação de emergência para prestar atendimento médico aos índios Yanomanis, em Roraima, está parada por falta de recursos. Cinco equipes médicas, que deveriam ter chegado à região em que vivem os índios no último dia 15, não puderam viajar. Os Cr$9 milhões que a FUNAI (Fundação Nacional do Índio) recebeu do Ministério do Interior para a continuidade do programa estão congelados no Tesouro Nacional. Com a reforma administrativa, a FUNAI passou do extinto Ministério do Interior para o Ministério da Justiça.

EXÉRCITO DIVULGA LISTA COM OS NOVOS GENERAIS

O Alto Comando do Exército divulgou ontem o nome dos quatro generais-de- divisão (três estrelas) que encabeçarão a lista a ser encaminhada para o presidente Fernando Collor escolher os novos generais-de-exército (quatro estrelas). Os nomes indicados são Romero Montesquieur, Antônio Joaquim Soares Moreira, Antônio Luís Rocha Veneu e Armando de Morais Âncora Filho (FSP).

COLLOR NOMEIA RUBENS VILLAR PARA GOVERNAR RORAIMA

O ex-senador Rubens Villar será nomeado hoje pelo presidente Fernando Collor governador do Território de Roraima, que deverá se transformar em estado a partir de 1o. de janeiro de 1991, com a posse do primeiro governador eleito. Villar substituirá o governador Romero Jucá Filho, nomeado por José Sarney. O novo governador é alagoano e foi o coordenador da campanha de Collor na região norte (FSP).

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