SETE ESTABELECIMENTOS SAQUEADOS NO RIO DE JANEIRO

Prosseguiu pela madrugada de ontem a onda de saques a estabelecimentos comerciais do Rio de Janeiro. Três supermercados, dois açougues, uma padaria e um depósito de doces foram saqueados. Três menores foram detidos como suspeitos pela Polícia Militar e dispensados por falta de flagrante. Como das vezes anteriores, os grupos formados em sua maioria por mulheres e crianças, levaram grande quantidade de gêneros alimentícios, bebidas e produtos de limpeza (O Dia).

ÍNDIOS OCUPAM MINISTÉRIO DA JUSTIÇA PARA SABER SOBRE A FUNAI

Um grupo de 30 índios ocupou ontem o Ministério da Justiça, em Brasília, para entregar ao ministro Bernardo Cabral um abaixo-assinado pedindo uma posição oficial do governo sobre o destino da FUNAI (Fundação Nacional do Índio). "Não queremos que o órgão tutor da questão indígena use novamente botinas", disse o líder da comissão, Samuel Terena, da tribo Terena, do Mato Grosso do Sul. Os 30 índios representavam as seis maiores nações indígenas do país (O Dia).

RIO DE JANEIRO DEMITIU 11 MIL EM UM DIA

O secretário estadual de Trabalho, Átila Nunes, admitiu ontem que apenas em um dia, no último dia 23, 11 mil trabalhadores foram demitidos no Rio de Janeiro. Ontem foram registradas 700 dispensas, mas segundo o secretário, 3.753 trabalhadores foram readmitidos e centenas de avisos prévios suspensos. Ele acha que os empresários vão chegar à conclusão de que demitir sai mais caro do que manter o trabalhador em seu emprego (O Dia).

GOVERNO SUSPENDE NOMEAÇÕES

O Palácio do Planalto sustou todas as nomeações para os terceiro e quarto escalões do governo, principalmente para órgãos situados fora de Brasília, até que o Congresso Nacional vote o Plano Collor. A informação foi transmitida ontem pelos líderes do governo, deputado Renan Calheiros e senador José Ignácio, aos parlamentares considerados aliados do governo Collor no Congresso (O Dia).

CPI SOBRE INVASÃO DA "FOLHA" JÁ TEM APOIO DE SEIS PARTIDOS

Os líderes de seis partidos manifestaram-se ontem a favor da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) na Câmara dos Deputados, para investigar a invasão da sede da empresa Folha da Manhã S/A, que edita a Folha de São Paulo, pela Polícia Federal, no último dia 23. Englobando 121 parlamentares, manifestaram-se a favor líderes do PT, PSDB, PDT, PSB, PC do B e PCB. Ainda não se conhece a posição do PFL e PMDB, onde há parlamentares dispostos a apoiar a CPI. São necessárias 165 assinaturas para início dos trabalhos.

ZÉLIA CRIA RESTRIÇÕES À ATUAÇÃO DA IMPRENSA

Os jornalistas que fazem cobertura no Ministério da Economia foram surpreendidos ontem por restrições ao exercício da profissão impostas pela ministra Zélia Cardoso de Mello. Repórteres e fotógrafos não podem mais permanecer no "hall" da portaria que dá acesso ao elevador privativo, por onde entram e saem autoridades do governo, empresários e sindicalistas. Esse é o local em que a maior parte das entrevistas era realizada. Esse tipo de restrição é inédito: mesmo no regime militar havia livre trânsito.

JURISTA PEDE O AFASTAMENTO DE CABRAL DO MINISTÉRIO DA JUSTIÇA

O jurista Goffredo da Silva Telles Jr. disse ontem, em São Paulo, antes do governo anunciar a retirada das medidas provisórias inconstitucionais, que o ministro da Justiça, Bernardo Cabral, deveria abandonar o Ministério se não concordasse com tais atos do Plano Collor. Telles considerava incompatível a permanência de um advogado no Ministério de Justiça de um governo que tinha tomado "medidas contrárias à Constituição".

ARTISTAS PROTESTAM EM SÃO PAULO CONTRA MEDIDAS DO GOVERNO

Cerca de 69 artistas e intelectuais de São Paulo repudiaram as medidas provisórias do governo referentes à área cultural numa assembléia realizada ontem na capital paulista. A reunião decidiu divulgar um manifesto que exige a imediata desestatização e descentralização da cultura nacional, respeito à cidadania e à autonomia da produção cultural. Segundo a atriz Esther Góes, o governo "destruiu" a cultura. Exigimos a volta da política de incentivos fiscais e a representação

ASSEMBLÉIA DE SERVIDORES PEDE GREVE EM ABRIL

Uma assembléia com cerca de 300 servidores públicos do Distrito Federal decidiu, ontem, propor uma greve a partir do dia 10 de abril. A mesma assembléia decidiu também propor à CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) e à CUT (Central Única dos Trabalhadores) a realização de uma greve geral a partir do dia 14 de abril. Os servidores querem ainda fazer uma manifestação em frente ao Congresso Nacional no próximo dia quatro para pedir a rejeição de todas as medidas do Plano Collor. Os servidores realizam hoje plenária nacional, também em Brasília (FSP).

COLLOR RETIRA DO CONGRESSO AS MEDIDAS PUNITIVAS

O presidente Fernando Collor recuou e retirou ontem do Congresso Nacional as medidas provisórias nos. 153 e 156, que tratavam do crime por abuso de poder econômico e da punição a sonegadores. As medidas instauraram no país um estado policial desde o início do Plano Collor, dia 16 último. Os dois textos tiveram sua constitucionalidade questionada pela Procuradoria Geral da República.

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