DIRETOR DO BC NEGA QUE EXIMBANK TENHA CORTADO FINANCIAMENTO

O diretor da área externa do Banco Central, Antônio Carlos Sochaczewiski, negou ontem que o EXIMBANK dos EUA tenha cortado o financiamento ao setor privado brasileiro. Segundo ele, informações extra-oficiais dão conta, inclusive, de que o banco reclassificou para melhor os seus empréstimos ao Brasil. O diretor explicou que o Brasil estava pagando uma taxa de antecipação pelos empréstimos do EXIMBANK de 6,25%. Isto significa que se tomasse um financiamento de US$100 mil, receberia apenas US$94 mil. Esta taxa, agora, segundo ele, caiu para 4,85%.

DESEMPREGO EM SÃO PAULO ATINGE 11,6%

A taxa de desemprego voltou a crescer na Grande São Paulo em maio e atinge 11,6% dos trabalhadores. Segundo pesquisa da Fundação SEADE e DIEESE, mais 86 mil pessoas ficaram sem emprego em maio. O total já soma 947 mil pessoas (FSP).

RENDIMENTOS TÊM QUEDA REAL DE ATÉ 8,2%

A pesquisa SEADE/DIEESE sobre emprego e salário revelou que durante o mês de abril os rendimentos médios reais de ocupados e assalariados caíram respectivamente em 5,8% e 8,2%, sobre março. Esse indicador contrariou todas as expectativas-- inclusive previsão dos técnicos da SEADE-- de que os salários poderiam ter um ganho real por causa da queda da inflação e reajustes de março de 72,78%, pagos em abril. O que se verificou foi a persistência do movimento de queda que prevalece desde janeiro de 1990.

A GREVE DOS METALÚRGICOS

Os 3.700 trabalhadores da Scania, em São Bernardo do Campo (SP), entraram em greve ontem, paralisando totalmente as atividades da empresa, que fabrica em média 28 a 30 veículos por dia entre ônibus e caminhões. Outras quatro paralisações deflagradas ontem envolveram mais 4.280 trabalhadores na Mercedes Benz, Metal Leve, RollsRoyce, Blindex e Schuller. O total de greves em São Bernardo chegou a 13, com 12.270 metalúrgicos parados na campanha pela reposição salarial de 166,89% (FSP).

ENGARRAFADORES DE GÁS MANTÊM GREVE EM SÃO PAULO

Cerca de 5 mil engarrafadores de gás no Estado de São Paulo continuam em greve. Reunidos em assembléia ontem, os trabalhadores vinculados aos sindicatos de São Paulo, ABC, Osasco e Guarulhos não aceitaram o resultado do julgamento do TRT, no último dia 15, que considerou a greve abusiva, autorizou o desconto dos dias parados e concedeu antecipação salarial de 20% sobre os salários de maio. A reivindicação da categoria é de reposição de 166,89%, pagamento dos dias parados e estabilidade de 90 dias. Em São José dos Campos, a categoria voltou ao trabalho (FSP).

BANCÁRIOS SUSPENDEM GREVE

Acabou a greve geral dos bancários, iniciada no dia 12. A decisão foi tomada ontem pelo comando nacional de greve em reunião com representantes sindicais de diversos estados e pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo. O objetivo do encerramento da greve geral é garantir os 20% de antecipação salarial propostos pela FENABAN (Federação Nacional dos Bancos) (FSP).

GOVERNO NEGOCIA TRÉGUA COM EMPRESÁRIOS E SINDICATOS

O governo propôs ontem a empresários e trabalhadores uma trégua de 60 dias nos reajustes de preços e deflagração de greves e de 15 dias nas demissões dos servidores públicos para tentar uma saída negociada para a crise econômica. A maior dificuldade para fechar o acordo foi a exigência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de revogação das demissões e afastamentos já feitos e previstos pelo governo. O número pode chegar a 90 mil funcionários públicos, segundo o Palácio do Planalto, ou 70 mil, segundo a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello.

FUNAI DIZ QUE A REFORMA ADMINISTRATIVA IRÁ PREJUDICAR

O presidente interino da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), coronel Airton Alcântara Gomes, afirmou que a reforma administrativa irá prejudicar, pelo menos temporariamente, o atendimento às comunidades indígenas. Gomes entregou ao Ministério da Justiça, no último dia 14, uma lista com 888 demissões e 401 disponibilidades, que até ontem não havia sido publicada no "Diário Oficial". O presidente da FUNAI sustenta que o número ideal seria 470 demissões (FSP).

COLLOR DECIDIU ADOTAR A "LEI DE SILÊNCIO"

O presidente Fernando Collor de Mello decidiu adotar ontem a "lei do silêncio" que o secretário da Administração, João Santana, criou para impedir que os membros do governo falassem sobre a reforma administrativa. A estratégia usada no Palácio do Planalto foi não fazer qualquer comentário sobre o assunto, para diminuir as repercussões negativas do não-cumprimento da meta de apresentar ontem a lista dos 360 mil servidores afastados (FSP).

RS DECIDIU NEGOCIAR SAÍDA DE SEM-TERRAS

O governo do Rio Grande do Sul decidiu fazer "de forma negociada" a retirada de 200 famílias de sem-terra da fazenda da Capela (a 70 km de Porto Alegre). A informação foi dada pelas secretarias de Estado da Agricultura e Segurança. Os sem-terra estão com ordem de despejo determinada pelo juiz Antônio Vinícius da Silva. Ontem, uma área de 2 mil hectares ocupada pelos sem- terra foi isolada pela Brigada Militar. Esta não deixava ninguém sair ou entrar na fazenda. O governo estadual prometeu fazer um cadastramento e uma nova distribuição de áreas (FSP).

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