GOVERNO NEGOCIA TRÉGUA COM EMPRESÁRIOS E SINDICATOS

O governo propôs ontem a empresários e trabalhadores uma trégua de 60 dias nos reajustes de preços e deflagração de greves e de 15 dias nas demissões dos servidores públicos para tentar uma saída negociada para a crise econômica. A maior dificuldade para fechar o acordo foi a exigência da Central Única dos Trabalhadores (CUT) de revogação das demissões e afastamentos já feitos e previstos pelo governo. O número pode chegar a 90 mil funcionários públicos, segundo o Palácio do Planalto, ou 70 mil, segundo a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello. Até as 22h30, não havia um consenso entre as partes. O que ficou definido na reunião: Trégua-- governo, empresários e trabalhadores negociam uma trégua, que pode ser de até 60 dias. Em 15 dias, prorrogáveis por mais 15, uma comissão tripartite negociaria cinco pontos: livre negociação; desemprego e demissões; perdas salariais; política salarial; e preços. A participação de cada setor na trégua seria a seguinte: =-- empresários-- se comprometem a não aumentar preços nem demitir funcionários enquanto durar a trégua. O governo propôs que os preços ficassem engessados por 60 dias. Os empresários consideraram o prazo exagerado. Fizeram uma contraproposta de 30 dias. =-- trabalhadores-- se comprometem a Suspender as greves e as ações trabalhistas na Justiça. Jair Meneghelli, da CUT, condicionou sua participação nas negociações a um recuo do governo nas demissões de funcionários públicos. Ele quer que as demissões já efetuadas sejam anuladas. =-- Governo-- concorda Em Suspender as demissões de funcionários públicos. Até às 21h, discutia-se se também as demissões já efetuadas seriam revistas, como pediu a CUT. O governo se compromete a suspender também os aumentos de impostos e de tarifas públicas (FSP).