ZÉLIA EM BUSCA DE APOIO POLÍTICO

A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, pediu ontem, aos líderes dos partidos que apóiam o governo, com os quais se reuniu, para apressar a votação das medidas provisórias do pacote econômico. A principal preocupação dela é impedir que a demora na votação das medidas prejudique a eficácia do congelamento de preços. "Ela quer evitar problemas com a credibilidade das medidas na sociedade", disse o vice- líder do bloco parlamentar de apoio ao governo, deputado Arnaldo Faria de Sá (PRN-SP) (JC).

COLLOR PEDE QUE NÃO O DEIXEM SÓ

Não me deixem só!. Este dramático apelo que o presidente da República usou à exaustão na campanha eleitoral ressurgiu ontem à noite, através da rede nacional de TV em que Fernando Collor de Mello explicou as razões que o levaram a decretar o Plano Collor II. Ele convocou a população a participar de uma "mobilização cívica" pelo êxito das novas medidas econômicas, que visam à recuperação do país (JC).

GOVERNO CONCEDE NOVOS AUMENTOS

O governo voltou a violar o congelamento de preços e salários, em vigor desde o dia 31, e concedeu ontem reajustes de 23,25% para os preços das passagens aéreas e aumentou os preços do pão e do leite. O pão de 50 gramas está custando agora Cr$13 e o litro do leite tipo C, Cr$96, sem a incidência do ICMS. O aumento do pão é decorrência do reajuste concedido ao trigo, cujo preço por tonelada passou de Cr$31.957 para Cr$45.529. É o segundo reajuste este ano nas tarifas aéreas que apresentam agora 41,29% de majoração em 1991.

ALUGUÉIS RESIDENCIAIS NÃO ESTÃO CONGELADOS

O governo mudou a regra para os aluguéis residenciais anunciada no último dia 31, que previa a correção pela média da inflação passada e um posterior congelamento por tempo indeterminado. De acordo com o que foi anunciado ontem pelo secretário de Política Monetária e Fiscal do Ministério da Economia, Amaury Bier, os aluguéis residenciais não estão congelados e serão reajustados na data prevista no contrato. Só a partir daí são enquadrados no esquema de correção com base no índice de referência mínima dos aumentos salariais obtidos nos meses de janeiro e julho.

FLUPEME CONSTATA VENDA MENORES E DESEMPREGO EM JANEIRO

As novas medidas econômicas pegaram as pequenas e médias empresas do Estado do Rio de Janeiro num péssimo momento. Segundo dados divulgados ontem pela FLUPEME (Associação Fluminense da Pequena e Média Empresa), de um total de 340 empresas, 53% delas diminuíram suas vendas em janeiro; outras 44% demitiram, provocando uma diminuição, só no mês passado, de 5,4% dos empregos ofertados em relação aos últimos três meses. Isto significa 140 mil pessoas desempregadas. De acordo com a FLUPEME, o setor industrial foi o que mais sofreu.

JUÍZA MANDA ESTADO DO RJ GRATIFICAR SERVENTUÁRIOS

O Sindicato dos Serventuários da Justiça do Estado do Rio de Janeiro entrou na Justiça para pôr fim à própria greve. Depois de 74 dias de paralisação, os serventuários conseguiram que a juíza da 2a. Vara de Família, Maria Helena Salcedo, concedesse uma liminar obrigando o governo do estado a pagar, no prazo de cinco dias, a gratificação especial de 100%, retroativa a 22 de outubro de 1990, que havia sido concedida a outras categorias do funcionalismo. A greve, no entanto, permanece até o pagamento.

JURISTAS DA ECOLOGIA VÃO SE REUNIR NO RIO DE JANEIRO

O Rio de Janeiro vai sediar em outubro deste ano a I Conferência Mundial de Direito do Meio Ambiente, a ser promovida pela prefeitura, Procuradoria Geral do Município e Secretaria Municipal de Meio Ambiente. O evento, segundo o secretário de Meio Ambiente, Fernando Walcacer, reunirá juristas de todo o mundo. "Esse evento será preparatório à Conferência Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO-92), que a ONU vai realizar no Rio em 1992. Pretendemos que suas conclusões e recomendações sejam debatidas na ECO-92", disse o secretário.

ANTÔNIO ERMÍRIO DIZ QUE PLANO PODE PROVOCAR "QUEBRADEIRA"

O congelamento de preços não deve se prolongar, já que implicaria
35872 sérias dificuldades financeiras para as empresas e até mesmo o risco de

FIESP DIVULGA NOTA SOBRE O PLANO COLLOR II

Apesar de se mostrarem dispostos a colaborar com o novo pacote econômico do governo, os empresários paulistas criticaram ontem a prática intervencionista do governo, que, segundo eles, não condiz com seu discurso liberalizante. Através de uma nota oficial, o presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Mário Amato, afirmou que a entidade, por princípio, é contra a adoção de controle ou congelamento de preços, por violar os mecanismos de mercado.

FIPE ANALISA O PLANO COLLOR II

O economista Juarez Rizzieri, diretor da FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) da USP (Universidade de São Paulo), disse que o setor público e os salários saem ganhando com o Plano Collor II. O setor financeiro e as empresas privadas, em geral, perdem inicialmente. "Os salários ganham porque a massa salarial está abaixo da média dos últimos 12 meses. O governo ganha com o tarifaço e, naturalmente, o setor privado paga a conta, enquanto não puder repassá-la para os preços. Já os bancos, perdem rentabilidade enquanto a inflação se mantiver baixa".

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