SARNEY PRETENDE APLICAR O "PLANO INVERNO"

O choque ortodoxo que o presidente José Sarney pretende aplicar na economia no final de julho, diante da expectativa inflacionária de 30%, deve incluir a suspensão de todos os subsídios federais, exceto os destinados à exportação. Além disso, o governo planeja reduzir os prazos de recolhimento de impostos e criar novos empréstimos compulsórios para antecipar a entrada de receitas tributárias. Outra proposta em estudo prevê a centralização de todas as contas públicas num caixa único, que ficaria responsável por todas as verbas governamentais.

PT ADIA OUTRA VEZ A ESCOLHA DO VICE-PRESIDENTE

O PT (Partido dos Trabalhadores) homologa hoje a candidatura de Luís Inácio da Silva, a presidente da República. A escolha do vice de "Lula" deve ser adiada outra vez, segundo a direção do PT. O PSB e o PC do B ameaçam deixar a Frente Popular Brasil (PT, PSB, PC do B e PV) se o indicado for Fernando Gabeira. Cada um desses partidos tem cinco minutos de horário gratuito (FSP).

CVRD E DU PONT INVESTIRÃO US$570 MILHÕES

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD), Du Pont do Brasil e a Carbocloro investirão US$570 milhões para tornar o país auto-suficiente em dióxido de titânio, matéria-prima necessária, principalmente, às indústrias de tintas. Hoje, o Brasil consome 75 mil toneladas do produto por ano e precisa importar 33% desse total (O ESP).

SARNEY PEDE PARA CAMÕES NÃO SE DEMITIR

O presidente do Banco Central, Elmo Camões-- pai do dono da Distribuidora Capitânea, envolvida no escândalo causado pelo empresário Naji Nahas--, pediu demissão do cargo. O presidente José Sarney recusou o pedido e o aconselhou a ficar. O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, defende a demissão de Camões (O ESP).

GRUPO DOS OITO NÃO DESEJA CONFRONTO

O "Grupo dos Oito", formado pelas maiores democracias da América Latina, não deseja confrontar com seus credores, mas buscar "negociações serenas", segundo o comunicado conjunto emitido ontem pelos ministros da Fazenda reunidos em Caracas. O comunicado será apresentado as sete nações mais industrializadas, possivelmente na reunião de cúpula do próximo mês. Os ministros do Brasil, Argentina, Colômbia, México, Peru, Uruguai e Venezuela não acreditam em uma renegociação conjunta da dívida de US$420 bilhões.

MAIS CORRETORAS INADIMPLENTES NA BVRJ

Mais duas corretoras-- Celton e Tamoyo--, além da Ney Carvalho e da Beta, estão devendo à Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ). A confirmação foi feita ontem pelo presidente interino da Bolsa, Pedro Salgado, que estimou a dívida da Celton em NCz$8 milhões e da Tamoyo em cerca de NCz$2 milhões. Junto com os NCz$11,9 milhões da Ney Carvalho e dos NCz$5 milhões da Beta, a BVRJ está arcando com NCz$26,9 milhões de dívidas, em função da inadimplência de suas associadas (JC).

PRODUÇÃO INDUSTRIAL CRESCEU EM CINCO ESTADOS

Os resultados regionais da indústria referentes ao mês de abril, apurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram, em geral, melhor desempenho em relação ao primeiro trimestre do ano. Todos os oito locais pesquisados registraram, no comparativo mensal, taxas superiores às do período janeiro a março, à exceção de Pernambuco (- 2%), Santa Catarina (-1%) e São Paulo (-5,5%).

COTAÇÃO DO DÓLAR NORTE-AMERICANO

O Banco Central desvalorizou o cruzado novo, ontem, em 0,8824% para compra e 0,9608% para venda frente ao dólar norte-americano. Com isso, a moeda estará cotada, no próximo dia 19, no câmbio oficial, a NCz$1,3660 para compra e NCz$1,3720 para venda. As desvalorizações cambiais promovidas desde o início do ano somam, agora, 81,2495% (GM).

BRASIL SE COMPROMETE DE NOVO COM O FMI

O governo está, mais uma vez, assumindo um ambicioso compromisso com o Fundo Monetário Internacional (FMI) de conter o déficit público operacional-- que exclui as correções monetária e cambial da dívida-- em 3,79% do PIB (Produto Interno Bruto), equivalentes a NCz$22,47 bilhões. Esta meta é inferior ao déficit de 1988, que chegou a 4,26% do PIB e, segundo o ministro do Planejamento, João Batista de Abreu, poderá ser reduzida para 3,5% do PIB.

MINISTRO CRITICA MEDIDAS DO PRÓPRIO GOVERNO

O ministro da Justiça, Oscar Dias Corrêa, criticou ontem, em Florianópolis (SC), as medidas econômicas do governo, que considera ineficazes para superar a crise do país, e recomendou atitudes mais drásticas para conter a inflação e o déficit público. Segundo o ministro, "uma inflação elevada diminuirá a racionalidade dos eleitores e estimulará a radicalização no processo de sucessão eleitoral, mas o governo assegurará de todas as formas a normalidade do pleito de novembro" (O Globo).

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