O choque ortodoxo que o presidente José Sarney pretende aplicar na economia no final de julho, diante da expectativa inflacionária de 30%, deve incluir a suspensão de todos os subsídios federais, exceto os destinados à exportação. Além disso, o governo planeja reduzir os prazos de recolhimento de impostos e criar novos empréstimos compulsórios para antecipar a entrada de receitas tributárias. Outra proposta em estudo prevê a centralização de todas as contas públicas num caixa único, que ficaria responsável por todas as verbas governamentais. Apesar das pressões para que o "Plano Inverno" consagre uma nova moratória externa, Sarney prefere tentar o ajuste interno da economia e, a partir daí, negociar com os credores uma folga nos pagamentos dos juros. O acordo externo teria outros componentes além da arrumação interna da economia: flexibilização do câmbio, liberalização das importações (exceto dos chamados produtos supérfluos) e uniformização das tarifas alfandegárias (FSP).