DÉBIDOS ATRASADOS DO BRASIL CHEGAM A US$5,380 BILHÕES

O Brasil fechou o ano de 1989 com débitos externos em atraso da ordem de US$4,4 bilhões, de acordo com a última edição do Programa Econômico divulgado ontem pelo Banco Central. Somados aos US$980 milhões de compromissos não pagos ao Clube de Paris no último dia dois, o total de atrasos está hoje em US$5,380 milhões. Os US$4,4 bilhões foram contabilizados pelo BC como parte da dívida externa de curto prazo de US$16,1 bilhões acumulada até dezembro passado.

MÁRIO GARNERO FORMARÁ NOVO BANCO

Os empresários Mário Garnero e Domingo Alzugaray pretendem abrir, nos próximos meses, o Banco Múltilo Transcontinental. O novo banco é sucessor do Banco Intercontinental de Investimentos (BINISA), em processo de liquidação extrajudicial no Banco Central até que a Editra Três, propriedade de Alzugaray, adquirisse 51% de suas ações ordinárias e 72% das preferenciais. O restante do capital do novo banco-- 49% das ações ordinárias e 28% das preferenciais-- é da Brasilinvest Participações, empresa controlada por Garnero.

BRASIL ATRASA PAGAMENTO COM O CLUBE DE PARIS

A preservação das reservas cambiais em torno de US$7,2 bilhões obrigou o governo a atrasar mais uma vez o pagamento da dívida com o Clube de Paris. No dia dois venceu uma parcela de US$980 milhões que somente será quitada na próxima semana (JB).

PIB TEVE EM 1989 CRESCIMENTO DE 4%

Com dados do último trimestre, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e o INPES, instituto de pesquisa da SEPLAN (Secretaria de Planejamento da Presidência da República), concluíram que o PIB (Produto Interno Bruto) cresceu 4% (JB).

LULA PREFERE TENTAR REELEIÇÃO NA CÂMARA

O candidato derrotado à Presidência da República, Luís Inácio da Silva (PT), afastou ontem definitivamente a possibilidade de disputar o governo de São Paulo nas eleições de outubro. Ele confirmou, no entanto, que concorrerá à reeleição para a Câmara dos Deputados. Disse, também, que pretende concluir, na condição de deputado federal, o projeto de redescobrir o Brasil, iniciado durante a campanha à sucessão presidencial (O Globo).

BANCO CREDOR QUER NEGOCIAR ANTES DA POSSE

O comitê assessor dos bancos credores do Brasil poderá se reunir no próximo mês, antes mesmo da posse do presidente eleito, Fernando Collor de Mello, para decidir capitalizar (acrescentar ao principal da dívida) parte dos juros do débito externo do país. Até a data da posse, 15 de março, o Brasil já estará com US$5,5 bilhões de juros em atraso. A capitalização dos juros seria provocada pela perspectiva de que o Brasil não terá dinheiro para pagá-los este ano.

IBGE ERRA DE NOVO AO CALCULAR ERRA DA INFLAÇÃO

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) ampliou ontem a margem de erro de seu cálculo da inflação de dezembro último ao admitir, em nota oficial assinada pelo seu presidente, Charles Curt Mueller, que, na pior das hipóteses, a superestimação da inflação terá sido de 1,58%, o que indica que o índice real seria de 51,97%, e não de 53,55% como foi anunciado.

MARCO MACIEL SERÁ LÍDER DO GOVERNO NO SENADO

O senador Marco Maciel (PFL/PE) será o líder do governo do presidente eleito, Fernando Collor de Mello, no Senado Federal. A partir de 15 de fevereiro ele irá substituir o senador paraibano Marcondes Gadelha na liderança da bancada (O ESP).

COLLOR MUDARÁ ENSINO BÁSICO

A regionalização dos currículos escolares no ensino básico é uma das metas do futuro governo Fernando Collor de Mello. O anúncio foi feito ontem, em Brasília, pelo professor José Luitgard, coordenador do grupo de educação da equipe de transição do novo governo. Ele disse, no entanto, que para melhorar a qualidade do ensino no país, qualquer plano terá de contemplar a melhoria dos salários do magistério. Segundo ele, a regionalização dos currículos é necessária para que sejam voltados para as realidades locais.

DOM LUCIANO CRITICA ACORDO COM GARIMPEIROS

O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciano Mendes de Almeida, criticou ontem, em Brasília, o acordo que prevê a transferência dos garimpeiros que invadiram a reserva indígena Yanomani, em Roraima, para florestas nacionais no próprio estado. "A ação dos garimpeiros não pode atropelar a sobrevivência de todo um povo", disse.

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