MINISTRO QUER REFORMA AGRÁRIA "CRISTÃ E PACÍFICA"

O futuro ministro da Agricultura e Reforma Agrária é o governador do Distrito Federal Joaquim Roriz. A nomeação foi feita ontem por Collor. Roriz disse, em entrevista coletiva, antever "milhares brasileiros, expulsos da terra para os grandes centros, retornando ao campo com dignidade". Como prioridade de sua administração, estabeleceu o assentamento em massa de trabalhadores sem terra. Mas deixou clara sua opção por uma reforma agrária "sem conflitos, sem assassinatos, justa, cristã e humana" (JC).

INTERBRÁS SERÁ PRIVATIZADA OU EXTINTA

O futuro ministro da Infra-estrutura, Ozires Silva, revelou ontem que a INTERBRÁS, "trading company" da PETROBRÁS, será fechada se não for privatizada. A informação foi dada durante almoço com um grupo de 40 empresários, em São Paulo. Ele disse que das 103 empresas da PETROBRÁS-- entre subsidiárias e coligadas-- só não serão privatizadas a própria PETROBRÁS, a BRASPETRO e a BR Distribuidora (O Globo).

MEDIDA TORNA IMPENHORÁVEL 40 MILHÕES DE IMÓVEIS

O presidente José Sarney assinou ontem medida provisória tornando impenhoráveis mais de 40 milhões de residências em todo o país. A medida impede que bens imóveis residenciais sejam desapropriados por qualquer ação pública, privada, fiscal ou trabalhista. A medida protege a família e não o dono do imóvel, que precisará assumir a responsabilidade por transações econômicas mal sucedidas. Há uma ressalva para imóveis comprados ou financiados que não tenham sido quitados pelo comprador.

BRIZOLA E "LULA" ACERTAM ESTRATÉGIA DA OPOSIÇÃO

Leonel Brizola e Luís Inácio da Silva, candidatos derrotados à sucessão presidencial, se encontraram anteontem, em Brasília, para acertar uma ofensiva conjunta contra o futuro governo, além de discutir a estratégia de coligações entre PDT e PT nas próximas eleições. Ficou acertado tabém que "Lula" participará do programa do PDT, dia 22, em cadeia nacional de rádio e televisão, enquanto Brizola estará presente ao programa do PT no dia 29.

USINEIRO PROTESTA CONTRA POSSÍVEL FIM DO PROÁLCOOL

As declarações do futuro ministro da Infra-estrutura, Ozires Silva, admitindo a possibilidade de o novo governo acabar com o programa do álcool para fins combustíveis, foram mal recebidos pelos usineiros. "Acho que não guardam qualquer proximidade com a realidade", declarou, em São Paulo, o presidente da SOPRAL (Sociedade dos Produtores de Açúcar e Álcool), Lamartine Navarro. Segundo ele, as declarações de Ozires indicam um desconhecimento da área de combustíveis.

AMBIENTALISTAS LANÇAM MANIFESTO

Dezenove entidades ambientalistas lançaram ontem, em Brasília, um manifesto criticando os planos do futuro governo para a área de meio ambiente. Eles consideram "lamentáveis e retrógradas" as propostas de excluir os representantes da sociedade civil do Conselho Deliberativo do Fundo Nacional do Meio Ambiente e do Conselho Superior de Meio Ambiente (Consema). Os ambientalistas também condenam a intenção do presidente eleito, Fernando Collor de Mello, de criar a Secretaria Nacional de Meio Ambiente através de medida provisória.

COTAÇÃO DO DÓLAR NORTE-AMERICANO

O Banco Central desvalorizou o cruzado novo, ontem, em 2,5801% para compra e em 2,5813% para venda. O dólar norte-americano está cotado, hoje, no câmbio oficial, a NCz$36,2990 para compra e a NCz$36,4810 para venda. As desvalorizações acumuladas desde o início do ano somam 222,30% (GM).

EMPREGADOS DA BVRJ ESCOLHEM SINDICATO

Os empregados da BVRJ (Bolsa de Valores do Rio de Janeiro) decidiram ontem, em plebiscito, que vão passar a ser representados pelo Sindicato dos Empregados no Mercado de Capitais. Votaram 227 trabalhadores e 151 escolheram a entidade, contra 73 votos dados ao Sindicato dos Bancários e um voto para o Sindicato dos Etcéteras (Agentes Autônomos) e dois em branco (JC).

WALTER BARELLI DEIXARÁ O DIEESE

O diretor-técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), Walter Barelli, anunciou ontem, em São Paulo, oficialmente, que deixará o cargo que ocupou durante 22 anos. Barelli, que alegou motivos particulares, disse que vai assumir algumas disciplinas e realizar estudos na UNICAMP (Universidade de Campinas). Ele ficará no cargo, porém, durante os próximos dois meses, num período de transição (JC) (GM).

PRIVATIZAÇÃO RENDEU US$500 MILHÕES

O governo arrecadou US$500 milhões na venda de 18 empresas estatais, entre 1985 e 1989 e transferiu US$600 milhões em dívidas para o setor privado. Do início do processo de desestatização, em 1981, até o ano passado, 74 empresas foram privatizadas sob as mais diversas formas: 38 vendidas à iniciativa privada, 18 transferidas (as Centrais de Abastecimento S/A), quatro fecharam, 10 foram incorporadas, uma arrendada, uma teve delimitadas as suas atividades e duas abriram o capital.

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