As declarações do futuro ministro da Infra-estrutura, Ozires Silva, admitindo a possibilidade de o novo governo acabar com o programa do álcool para fins combustíveis, foram mal recebidos pelos usineiros. "Acho que não guardam qualquer proximidade com a realidade", declarou, em São Paulo, o presidente da SOPRAL (Sociedade dos Produtores de Açúcar e Álcool), Lamartine Navarro. Segundo ele, as declarações de Ozires indicam um desconhecimento da área de combustíveis. O fim do programa do álcool implicaria um aumento do uso da gasolina e da importação de petróleo. "Teríamos que importar petróleo em moeda forte, reduzindo nossas reservas cambiais", explicou o usineiro. Para o presidente da COPERSUCAR (Cooperativa do Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo), Werther Annicchino, "uma medida dessa se faz e não se anuncia". Para ele, o anúncio prévio gera tumultos no mercado. Também o presidente do CNP (Conselho Nacional do Petróleo), general França Domingues, criticou o futuro ministro. Segundo ele, é impossível acabar com o PROÁlCOOl. "Os custos sociais da medida, que causaria desemprego de 150 mil pessoas, e o desrespeito aos 4,5 milhões de usuários de carros a álcool, são fatores determinantes para a continuidade do programa", disse (GM) (O Globo).