O CONGRESSO E O PLANO COLLOR

O líder do governo no Senado Federal, José Ignácio (sem partido-ES), disse ontem que se os parlamentares promoverem mudanças no Plano Collor que impliquem o aumento da quantidade de dinheiro na economia, o presidente Fernando Collor ficará "fortemente frustrado e desapontado com o Congresso Nacional". Segundo ele, essas mudanças são consideradas Inaceitáveis" e amarrariam os braços do presidente. Para ele, o maior desafio de Collor não é acertar "sua única bala na cabeça do tigre. É ter as mãos livres para dar o tiro na cabeça do tigre inflacionário".

MINISTRA INICIA NEGOCIAÇÃO DA DÍVIDA EXTERNA

A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, inaugura amanhã, em Montreal (Canadá), a nova estratégia do governo para a renegociação da dívida externa: cercada de expectativa em torno do pagamento de juros atrasados, cerca de US$5,5 bilhões, Zélia pretende evitar qualquer pronunciamento sobre o assunto. A renegociação da dívida é o ponto mais obscuro do Plano Collor.

INFLAÇÃO DE MARÇO É DE 84,32%

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que a inflação de março, medida até o último dia do governo Sarney pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC), foi de 84,32%. De março de 85, quando Sarney assumiu o cargo, até o último dia 15, o Brasil enfrentou uma inflação acumulada de 1.897.668%. Segundo o IBGE, o custo da alimentação subiu 84,15% entre os dias 15 de fevereiro e 15 de março, enquanto os serviços de transporte e comunicação encareceram 94,83%. O custo da habitação aumentou 83,08% e o do vestuário 70,31.

EMPRESÁRIOS CONDENAM DECLARAÇÕES DE MAGRI

Empresários condenaram ontem a declaração do ministro do Trabalho e Previdência Social, Antonio Rogério Magri, de que se as empresas não pagarem salários, os operários devem parar. O diretor do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), José Roberto Ramos Novaes, disse que "a declaração do ministro não deveria ser levada a sério". Para ele, o empresariado já fez a sua parte com "muito sacrifício". Agora, o governo deveria fazer a sua parte ao invés de dar declarações
29005 deste tipo (FSP).

CUT E EMPRESÁRIOS SE REÚNEM EM SÃO PAULO

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) e um grupo de 20 empresários paulistas começaram a negociar, ontem, a elaboração de um projeto comum de ajustes ao plano econômico do governo. A preocupação principal é com a manutenção do emprego.

BB LIBERA CR$10,2 BILHÕES PARA FOLHA DE PAGAMENTO

O Banco do Brasil liberou Cr$10,217 bilhões para as empresas com dificuldades de fazer o pagamento de salários de seus funcionários, segundo informou ontem o presidente da instituição, Alberto Policaro. Deste total, Cr$10 bilhõe foram liberados dos recursos próprios do banco para empresas com folha de pagamento de até Cr$3 milhões, e Cr$217 milhões foram repasses do Banco Central para empresas com folha acima deste valor. Já foram atendidas 400 empresas (JB).

LEI ORGÂNICA DÁ ANISTIA A DEVEDORES

A Câmara Municipal do Rio de Janeiro aprovou, por 20 votos a 18, o artigo 70 das Disposições Transitórias da Lei Orgânica, que concede anistia fiscal aos devedores de ISS (Imposto sobre Serviços), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e Taxa de Lixo. A Procuradoria Geral do Município prevê que a aprovação do artigo custará aos cofres municipais Cr$5 bilhões. Segundo o dispositivo, quem saldar dívidas até 30 dias após a promulgação da Lei Orgânica terá perdão de multa e correção monetária.

COTAÇÃO DO DÓLAR NORTE-AMERICANO

Bancos negociavam no último dia 30 o dólar para importação e exportação entre Cr$42,00 e Cr$42,70. No paralelo, o dólar teve o preço de Cr$57,00 para compra e Cr$65,00 para venda, em São Paulo. No Rio de Janeiro, a Cr$45,00 para compra e Cr$60 para venda. O dólar turismo foi negociado a Cr$45,00 para compra e Cr$55,00 para venda em São Paulo e Cr$45,00 e Cr$55,00 no Rio de Janeiro (GM).

OS ALUGUÉIS EM ABRIL

Os aluguéis anuais terão em abril um reajuste de 4.853,82%; os semestrais, de 1.385%, e os quadrimestrais, de 663,32%. A ABECIP (Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança) informou que o reajuste da casa própria do mês maio, a ser pago no início de junho, será de 84,32%, o mesmo índice da inflação de março divulgado ontem pelo governo (O Dia).

AS DEMISSÕES NA CONSTRUÇÃO CIVIL

O número de desempregados na construção civil chegou a 3,5 mil no Município de Campinas (SP), por conta do plano de estabilização econômica do governo (JC).

Páginas

Subscrever CRDOC RSS