SENADORES AMEAÇAM RETIRAR APOIO

A decisão do governo de pagar US$2 bilhões relativos aos juros atrasados, devidos a bancos credores privados, deverá quebrar a unanimidade de apoio à equipe econômica no Senado e provocar o adiamento da votação em plenário do projeto que estabelece condições para a renegociação da dívida externa, marcada para amanhã. Os senadores que integram a Comissão de Economia prevêem ainda que o governo deverá forçar a modificação do Projeto de Resolução 55, que impede qualquer pagamento aos credores antes da celebração de acordos aprovados pelo Senado.

BRASIL CONCORDA EM PAGAR US$2 BILHÕES

O governo está disposto a pagar aos bancos credores US$2 bilhões de juros atrasados, de um total de cerca de US$8,5 bilhões. Esse pagamento, além de ser composto por uma fatia das reservas do país em moeda estrangeira, também inclui cerca de US$500 milhões que viriam diretamente do FMI (Fundo Monetário Internacional), como primeira parcela do empréstimo de US$2 bilhões que o Fundo fará ao Brasil a partir do momento em que aprovar a carta de intenções e o Programa de Ajuste Econômico brasileiro.

COLLOR DECIDE ROMPER O ISOLAMENTO

O presidente Fernando Collor de Mello decidiu, ontem, romper o isolamento
34127 a que foi levado pelo estremecimento nas relações com empresários e
34127 trabalhadores e pelas derrotas sofridas no Congresso Nacional. O presidente
34127 quer agora um novo relacionamento com os parlamentares, de compreensão
34127 mútua e voltado para os interesses nacionais, sem exigência de apoio
34127 incondicional. Collor decidiu também convocar uma rede nacional de rádio

OS JUROS EM ALTA

As taxas do "overnight" lastreado em papéis federais registraram queda de 1,12%, com a média dos negócios em 28,49% ao mês. A escassez de recursos se refletiu no mercado interbancário, no qual as taxas ultrapassaram 40% mensais. Os papéis privados subiram também no prazo de 30 dias, com os CDBs voltando aos 1.650% ao ano, o equivalente a uma aplicação de 32,70% nominais ao mês no "over". Na ponta de financiamento, o "hot money" (empréstimo por um dia) foi o mais pressionado. Os tomadores de dinheiro pagaram taxas de 41,50% a 42,50% ao mês, contra 40,5% no último dia 16.

ZÉLIA NEGA QUE TENHA ADMITIDO REDUTOR

A ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, negou ontem que tenha admitido adotar a indexação parcial dos salários, através de um redutor da inflação. "O que eu disse foi que estávamos dispostos a formar grupos para estudar e discutir propostas". A ministra admitiu a possibilidade de alterar a política salarial em encontro com o sindicalista Luís Antônio de Medeiros, e a utilização de um redutor de inflação foi citada pelo secretário de Política Econômica, Antônio Kandir (JC).

O SUPERMERCADO PAGUE MENOS PEDE CONCORDATA

O Supermercado Pague Menos Ltda.-- a segunda maior rede de Pernambuco-- entrou com pedido de concordata preventiva. Com um passivo de Cr$682 milhões, o presidente da empresa, Altair Bezerra da Silva, alegou restrição de crédito por parte da rede bancária, queda de 44% nas vendas, de janeiro a outubro, e redução nos prazos de pagamento por parte dos fornecedores (JC).

AMATO CRITICA PLANO ECONÔMICO

O presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Mário Amato, contestou ontem a afirmação da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, segundo a qual governo e trabalhadores já deram sua contribuição ao controle da inflação e a queda dos índices depende agora do esforço dos empresários. Segundo Amato, o governo ainda não executou seu programa de redução de participação do Estado na economia. "Sabemos que não é fácil privatizar empresas e demitir funcionários públicos", reconheceu, destacando que falta muito a ser feito nessa área.

VEGA SOPAVE DEVE AO BANESPA

A empreiteira Vega Sopave, que requereu concordata no dia 19 de outubro, deixou uma dívida de Cr$4,5 bilhões com o BANESPA, segundo relatório anexado ontem pelos advogados da empresa ao processo que tramita na 10a. Vara Cível de São Paulo. A Vega Sopave também deve Cr$1,1 bilhão, em valores atualizados, de empréstimo obtido junto à Caixa Econômica do Estado de São Paulo. Nos dois casos, foram dados como garantias de pagamento imóveis e faturas de serviços prestados (O ESP).

TEIXEIRA RECEBE RELATÓRIO SOBRE PETRÓLEO DO IRÃ

O presidente da PETROBRÁS, Eduardo Teixeira, recebeu ontem da assessoria técnica da empresa estudo sobre a importação de petróleo do Irã por preço acima do mercado. A compra fechada em julho prevê a importação de 200 mil barris por dia, metade pelo preço do mercado e metade com um acréscimo de US$1,10 dólar por barril. O contrato dificilmente será renovado quando vencer no dia 31 de dezembro (O ESP).

INQUÉRITO INVESTIGA A COMPRA DA VASP

A venda da VASP ao empresário Wagner Canhedo será investigada pela Procuradoria-Geral da República. A procuradoria Deborah Duprat de Brito Pereira assinou ontem portaria determinando a investigação, que poderá se constituir no primeiro passo para uma ação judicial pela anulação do negócio (O ESP).

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