SENADORES AMEAÇAM RETIRAR APOIO

A decisão do governo de pagar US$2 bilhões relativos aos juros atrasados, devidos a bancos credores privados, deverá quebrar a unanimidade de apoio à equipe econômica no Senado e provocar o adiamento da votação em plenário do projeto que estabelece condições para a renegociação da dívida externa, marcada para amanhã. Os senadores que integram a Comissão de Economia prevêem ainda que o governo deverá forçar a modificação do Projeto de Resolução 55, que impede qualquer pagamento aos credores antes da celebração de acordos aprovados pelo Senado. O presidente da Comissão de Economia, senador Severo Gomes (PMDB-SP), disse que as declarações do presidente do Banco Central, Ibrahim Eris, de que o Brasil pagará US$2 bilhões, contraria a decisão da Comissão do Senado e traz "graves consequências para o apoio político ao governo nas negociações da dívida externa". O senador José Fogaça (PMDB-RS), que também integra a Comissão, disse que o governo poderá ter razões para pagar parte dos atrasados, mas deverá ir ao Senado explicar quais as vantagens e consequências de retirar os US$2 bilhões das reservas internacionais (JC).