O presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Mário Amato, contestou ontem a afirmação da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, segundo a qual governo e trabalhadores já deram sua contribuição ao controle da inflação e a queda dos índices depende agora do esforço dos empresários. Segundo Amato, o governo ainda não executou seu programa de redução de participação do Estado na economia. "Sabemos que não é fácil privatizar empresas e demitir funcionários públicos", reconheceu, destacando que falta muito a ser feito nessa área. Amato criticou também a administração do plano de estabilização econômica. Ele acha que a equipe do governo falha ao expor as empresas à insolvência e os trabalhadores ao desemprego. Na sua opinião, os empresários ajudam o plano econômico, uma vez que estão com a taxa de rentabilidade comprimida. "Acho que o governo deve permitir a oxigenação da economia, para que possamos chegar ao final desta batalha que é de todos nós". A acusação feita pela ministra Zélia aos empresários foi tema de debate na reunião de ontem da diretoria da FIESP. Para os diretores da entidade, a qualificação "empresário" é ampla e não pode ficar restrita ao setor industrial. Os balanços das empresas do ramo demonstram que o lucro, quando existe, nunca é superior a 10%, informou Carlos Eduardo Uchoa Fagundes, diretor do Departamento de Estatística da FIESP (O ESP).