ACORDO DO GÁS BOLIVIANO TEM FALHA TÉCNICA

O acordo firmado pelo Brasil para aproveitamento do gás boliviano corre risco de não se concretizar, advertem especialistas do setor. Segundo eles, só há, por enquanto, um texto técnico e diplomático entre os dois países, apenas o passo inicial do processo. Mas já se começou errado, dizem. O acordo, por exemplo, foi assinado com base em negociações sigilosas, que excluíram inexplicavelmente interlocutores importantes, como os consumidores finais e os investidores potenciais. Isso poderá inviabilizar o acordo.

QUANTO O GOVERNO DESEMBOLSOU DESDE JULHO

Na primeira quinzena de julho: O governo libera Cr$3,1 trilhões (US$645 milhões). Os recursos vão para projetos nas regiões nordeste, norte e centro-oeste; irrigação e compra de terras; linhas de crédito para microempresas e verbas para fins culturais; construção do primeiro trecho da Ferronorte (a ferrovia da soja, do empresário Olacyr de Moraes); construção de moradias para militares e incentivos fiscais na zona franca e região amazônica.

GOVERNO ANUNCIOU A LIBERAÇÃO DE CR$51,4 TRILHÕES ATÉ JULHO

Em 50 dias, o governo Collor anunciou a liberação de Cr$51,4 trilhões (ou US$10,7 bilhões)-- ou seja, mais de Cr$1 trilhão por dia. A cifra total é mais de metade dos Cr$94,1 trilhões (US$19,602 bilhões) resultantes da arrecadação de impostos pela União entre janeiro e julho deste ano, segundo cálculo da Receita Federal; metade das reservas cambiais do país- - que estão em US$21 bilhões-- ou 22 vezes o superávit do Tesouro Nacional entre janeiro e julho deste ano, que foi de Cr$2,350 trilhões (US$490 milhões).

CONFIRMADOS OS SAQUES ANTES DO BLOQUEIO

As cópias dos extratos da conta usada para pagamento das despesas do presidente Collor confirmam que o valor sacado no dia 13 de março de 1990, véspera do bloqueio dos cruzados foi efetivamente de US$63.560,21-- equivalente a Cr$343 milhões, pela cotação do dólar paralelo do último dia 21. "Temos todos os documentos para provar o valor dos saques da conta do presidente e de PC, assegurou o deputado Aloízio Mercadante (PT-SP), da subcomissão de bancos da CPI do caso PC (JC).

PC CAUSOU PREJUÍZOS DE US$30 MILHÕES NA CEME

A atuação do esquema PC na Central de Medicamentos (CEME) causou prejuízos aos cofres públicos de US$30 milhões (cerca de Cr$141 bilhões) em concorrências fraudulentas e compras de material por preço superfaturado. Essa foi a conclusão da subcomissão da CPI do caso PC responsável pela investigação sobre o esquema de tráfico de influência montado pelo empresário alagoano no Ministério da Saúde.

MONTADA OPERAÇÃO PARA CONTER PROTESTOS EM BRASÍLIA

A`s vésperas da divulgação do relatório da CPI do caso PC, a capital federal amanheceu sob vigilância. O governo do Distrito Federal colocou de sobreaviso as polícias Militar e Civil e o Corpo de Bombeiros, que montaram esquema de segurança em toda a cidade. Nas proximidades da residência oficial do presidente Fernando Collor, voltaram a ser armadas as barreiras para evitar que manifestantes pudessem se aproximar da Casa da Dinda (JC).

ABI ENCAMINHARÁ À CÂMARA PEDIDO DE "IMPEACHMENT"

O presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Barbosa Lima Sobrinho, deverá encaminhar à Câmara dos Deputados, no dia 8 de setembro, o pedido de Impeachment" do presidente Fernando Collor (JC).

CRESCE VENDA PARA O MERCOSUL

O Mercado Comum do Cone Sul (MERCOSUL) já está em pleno funcionamento na região que começa em Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro e São Paulo, passa pelo Uruguai e chega até a cidade de Bahia Blanca, na Argentina. "O comércio nessa região deve chegar a US$5,5 bilhões este ano, 18% mais do que em 91", afirma Harry Simonsen, presidente da Simonsen Associados.

ATO EM ALPHAVILLE PEDE IMPEACHMENT

Alphaville, um dos mais nobres conjuntos residenciais da Grande São Paulo, foi palco ontem de uma passeata pró-impeachment do presidente Collor. A maioria dos participantes vestia roupas pretas. Os manifestantes batizaram o movimento de "Dignidade Já". Na avaliação dos organizadores, participaram do ato 1.500 pessoas. Segundo a Polícia Militar, perto de 1.200 (FSP).

VICE-PRESIDENTE DO PFL VAI COLOCAR CARGO À DISPOSIÇÃO

O deputado federal José Múcio Monteiro (PFL-PE), membro da CPI do Collorgate disse que é favorável ao Impeachment" do presidente Fernando Collor e que vai colocar o seu cargo de vice-presidente nacional do PFL à disposição do partido. A decisão pode levar Múcio a ser substituído de última hora na CPI por um governista fiel ao Planalto (FSP).

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