ACORDO DO GÁS BOLIVIANO TEM FALHA TÉCNICA

O acordo firmado pelo Brasil para aproveitamento do gás boliviano corre risco de não se concretizar, advertem especialistas do setor. Segundo eles, só há, por enquanto, um texto técnico e diplomático entre os dois países, apenas o passo inicial do processo. Mas já se começou errado, dizem. O acordo, por exemplo, foi assinado com base em negociações sigilosas, que excluíram inexplicavelmente interlocutores importantes, como os consumidores finais e os investidores potenciais. Isso poderá inviabilizar o acordo. A PETROBRÁS, que comandou as negociações e pretende prosseguir no projeto, não tem recursos para tocar o empreendimento, estimado em US$2 bilhões, dizem os técnicos. Os consumidores não foram ouvidos quanto à questão dos preços e esse é o segundo problema grave. Esse preço dependerá do traçado do gasoduto, sujeito a pressões políticas. Os técnicos recomendam a implantação do projeto por etapas. A primeira ligando Santa Cruz de La Sierra a Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, em 1,9 mil km. Na segunda etapa, em até seis anos, poderá se chegar ao Rio Grande do Sul. Se desde já se pretende estender o gasoduto até Porto Alegre, no total de três mil km, o preço do gás ficará inviável (O ESP).