COLLOR ACUSA SARNEY DE ATITUDE ANTI-ÉTICA

O presidente eleito, Fernando Collor de Mello, acusou o presidente José Sarney de "atentado à ética" por ter baixado a Medida Provisória no.129, que o autoriza a gastar mais que o permitido pelo Congresso em seus últimos dias de governo. Collor encerrou sua entrevista coletiva condenando a medida de Sarney, que classificou de "lamentável" e contrária aos esforços de superação da crise (FSP).

MAGRI DIZ QUE COLLOR NÃO MEXERÁ COM POLÍTICA SALARIAL

O futuro ministro do Trabalho e da Previdência Social, o presidente da CGT Antônio Rogério Magri, informou ontem ter recebido do presidente eleito Fernando Collor a garantia de que o futuro governo "não vai mexer na política salarial sem ouvir o movimento sindical". Magri destacou que a escolha de um sindicalista da CGT para o Ministério não representa qualquer confronto com a CUT, mas com "as elites impatrióticas formadas por banqueiros, atravessadores, supermercados, um monte de empresáris que mamam nas tetas do governo e arrebentam o país".

COTAÇÃO DO DÓLAR NORTE-AMERICANO

O Banco Central desvalorizou, ontem, o cruzado novo em relação ao dólar norte-americano em 3.2742% para compra e em 3,2706% para venda. Hoje, o dólar está cotado a NCz$24,2240 para compra e a NCz$24,3450 para venda. As desvalorizações cambiais promovidas pelo BC desde o início do ano somam 115,08% (GM).

PRIORIDADES DE COLLOR A CURTO PRAZO

O presidente eleito Fernando Collor de Mello, em entrevista coletiva concedida, ontem, em Brasília, afirmou o seguinte: =-- declarará Estado de guerra contra a inflação no primeiro dia de seu governo; -- descontrole da economia já passou a ser um caso de polícia; -- atual cenário é de absoluta responsabilidade das elites brasileiras; =-- punição às elites pouco competitivas que se escondem atrás de cartórios; -- antes a abertura do mercado do que o contrabando de "chips" de computadores; =-- nomeação de Magri é a prova de que O povo estará participando do go

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA REBATE CRÍTICAS DE COLLOR

A Presidência da República divulgou nota à imprensa para rebater a crítica feita ontem de manhã pelo presidente eleito Fernando Collor de Mello à Medida Provisória no. 129, que liberou o atual governo da exigência legal de gastar entre 1o. de janeiro e 15 de março apenas 14% das verbas dos orçamentos aprovados no Congresso para todo o ano de 1990.

UNISYS PROMETE INVESTIR

A Unisys Eletrônica Ltda., com matriz sediada nos EUA e segunda maior empresa de informática do país, conforme "ranking" da revista "Dados e Idéias", pode investir no Brasil recursos da ordem de US$300 milhões, caso se concretizem as propostas anunciadas pelo presidente eleito, Fernando Collor de Mello, de suspensão da reserva de mercado no setor. O diretor de projetos especiais da Unisys, Ugo Medeiros, estimou que o investimento da ordem de US$300 milhões seria aplicado na implantação de uma nova linha de produtos.

COLLOR E A RESERVA DE MERCADO

Na sua primeira entrevista depois da viagem ao exterior, o presidente eleito Fernando Collor de Mello afirmou, ontem, que por "princípio é contra qualquer tipo de reserva, seja ela de que natureza for". Para Gilberto Garbi, diretor-presidente da NEC do Brasil, esta filosofia é salutar. "Concordo com seu diagnóstico de que as reservas e os cartórios ao invés de desenvolver tecnologia acabam fossilizando a técnica", diz. No setor de telecomunicações, área em que a empresa atua, o mecanismo de reserva foi utilizado no segmento de centrais telefônicas digitais.

INTERVENÇÕES PREOCUPAM O SETOR AGRÍCOLA

Os líderess do setor agrícola vêem com bons olhos as declarações do presidente eleito Fernando Collor de Mello sobre o campo, mas fazem suas ressalvas, principalmente no tocante à intervenção do Estado. Para o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Roberto Rodrigues, se o novo presidente, ao afirmar que o Estado não se pode afastar do fomento agrícola, quis falar em subsídios, é uma atitude justa se direcionada aos mínis e pequenos produtores rurais que foram marginalizados nos últimos anos em função da política agrícola.

EMPRESÁRIOS DO PARANÁ SE DIZEM TRANQUILOS

Os empresários paranaenses do setor financeiro consideraram bastante positivas as declarações que o presidente eleito, Fernando Collor de Mello, fez, durante a entrevista coletiva. "Ele foi muito feliz ao afirmar que o problema do mercado financeiro não é problema do governo", comentou José Luiz Osti Muggiati, presidente da Associação de Companhias de Crédito, Investimento e Financiamento do Paraná e Santa Catarina. "O seu compromisso é com o crescimento econômico do país, o que é incompatível com especulações", acrescentou.

AGRICULTORES ACREDITAM NUMA REVISÃO DA POSIÇÃO DO GOVERNO

A disposição manifestada pelo presidente eleito, Fernando Collor de Mello, de recolocar o Banco do Brasil no papel de principal agente de estímulo e de financiamento do setor agropecuário foi entendida pelo presidente da Federação das Cooperativas de Trigo e Soja (FECOTRIGO) Odacyr Klein, como uma possiblidade de revisão da posição equivocada do atual governo. Sempre consideramos um grave equívoco do governo pretender combater o
27959 déficit público cortando recursos de subsídios à agropecuária, porque

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