AGRICULTORES SAQUEIAM ESCOLAS NA PARAÍBA

Cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais desempregados saquearam ontem todas as escolas municipais e estaduais de Itaporanga (PB). Eles levaram cerca de sete mil quilos de feijão, arroz, macarrão, farinha de mandioca e fubá, que seriam servidos como merenda escolar. Uma pessoa foi presa e liberada em seguida. Os agricultores também saquearam o depósito de alimentos do hospital infantil da cidade e levaram cerca de três mil quilos de mercadorias. Essa é a segunda vez que Itaporanga é saqueada em menos de uma semana.

MAIS SAQUES NO RIO DE JANEIRO

Os saques iniciados após a decretação do Plano Collor nos subúrbios da zona norte do Rio de Janeiro atingiram na madrugada de ontem a zona oeste da cidade. Dos 15 saques e 11 tentativas de invasão registrados ontem, a metade aconteceu em supermercados e lojas da zona oeste. A Polícia Militar reforçou o policiamento nas ruas dos estabelecimentos e fez 48 prisões (oito de menores) ontem. Os organizadores dos saques na zona oeste não foram identificados pela polícia. Na zona norte, a PM culpa traficantes de tóxicos pelos saques (FSP) (O Globo).

SINDICATOS DO PARANÁ FAZEM AMEAÇAS

Vinte e seis presidentes de sindicatos de trabalhadores rurais do Vale do Paranapanema (norte/nordeste do Paraná) decidiram, em Jaguapitá, "liberar os trabalhadores para saques a bancos e supermercados", caso o governo federal não libere dinheiro, para que os produtores de algodão paguem os bóias-frias. Os sindicatos têm 40 mil associados (FSP).

EUA APÓIAM MEDIDAS E PROMETEM AJUDAR

Os EUA apóiam o Plano Collor e vão ajudar o governo brasileiro no que for possível para o seu êxito. Essa informação foi transmitida pelo embaixador dos EUA no Brasil, Richard Melton, à ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, com quem se reuniu ontem. Uma ajuda do governo norte-americano ao Brasil, segundo o embaixador, poderá vir através do Plano Brady, elaborado pelo secretário do Tesouro dos EUA, Nicholas Brady, e que prevê a redução da dívida externa de países do Terceiro Mundo. Caso as medidas tenham êxito, o Brasil estará credenciado a participar

BNDES MANTERÁ FINANCIAMENTOS DA MARINHA MERCANTE

Os navios já contratados ou com contratação aprovada pela diretoria do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) não serão afetados pela redução em 50% do adicional ao frete para renovação da Marinha Mercante (AFRMM), determinado pelo Plano Collor. De acordo com o superintendente da área de infra-estrutura e transportes do BNDES, Reginaldo Treigger, o Fundo da Marinha Mercante (FMM) dispõe de recursos suficientes para arcar com os compromissos assumidos.

GOVERNO QUER PARTICIPAÇÃO DO DIEESE

O diretor do Departamento Técnico do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), Walter Barelli, foi convidado ontem pela ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, para contribuir com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na medição do novo índice que o governo está criando para servir de pagamento de reajuste de preços e salários, a partir de abril.

COTAÇÃO DO DÓLAR NORTE-AMERICANO

O Banco Central passará a divulgar, a partir de hoje, taxa de câmbio para a compra e para a venda que vai orientar as operações de depósitos em moedas estrangeiras junto à autoridade monetária. Estas operações envolvem pagamentos de compromissos externos que continuam centralizados no BC, além dos depósitos das amortizações da dívida externa. Ontem, o dólar norte-americano foi negociado a Cr$38,50 para compra e a Cr$40,00 para venda no mercado de câmbio livre (GM).

CONSTRUÇÃO CIVIL DEMITE DOIS MIL EM BELO HORIZONTE

A decretação do Plano Collor provocou, até o momento, cerca de duas mil demissões de funcionários do setor da construção civil em Belo Horizonte (MG). A informação é da diretora do sindicato dos trabalhadores, Terezinha Santos. Segundo ela, a expectativa é de crescimento no número de dispensas nos próximos dias. O setor emprega 144 mil pessoas (GM).

ESTADO DO RIO TERÁ QUE CORTAR INVESTIMENTOS

O plano econômico do governo Collor bloqueou as aplicações de 44 órgãos da administração indireta do Estado do Rio de Janeiro, no montante de NCz$500 milhões, o que poderá provocar cortes em investimentos até nos serviços de água e esgoto. Foram afetadas 10 autarquias, sete empresas públicas, 13 fundações e 14 empresas de economia mista. Os recursos afetados tiveram o mesmo tratamento dado às empresas privadas: saques limitados a 20% do saldo ou Cr$25 mil, podendo haver conversões para o pagamento de funcionários.

CAMINHONEIROS PODERÃO USAR CHEQUES EM CRUZADOS

Os cheques com valores em cruzados novos emitidos até o dia 16 passado em favor de caminhoneiros poderão ser convertidos para cruzeiros, segundo decisão do Banco Central. Cerca de 60 mil caminhoneiros de todo o país só dispõem de cheques em cruzados novos para pagar suas contas de viagem. Isto porque eles recebem no início da viagem os cheques das empresas para pagamento de alimentação, combustível, manutenção do veículo e hospedagem (JB).

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