COLLOR MANDA SUSPENDER APOSENTADORIAS ELEVADAS

O presidente Fernando Collor mandou suspender ontem o pagamento de 315 aposentados cujos benefícios iriam de Cr$800 mil a Cr$14 milhões mensais, segundo levantamento da DATAPREV-- a empresa de processamento de dados da Previdência Social. Collor designou esses aposentados como "marajás da Previdência" e declarou "reaberta a temporada de caça", tentando reavivar a imagem de "caçador de marajás" (FSP).

MINISTÉRIO DA AÇÃO SOCIAL DÁ MAIS VERBAS A ALAGOAS

O Ministério da Ação Social vem privilegiando Alagoas, estado natal do presidente Fernando Collor e da ministra Margarida Procópio, com repasses de verbas orçamentárias a fundo perdido. Dos Cr$39 bilhões repassados pelo Ministério para todo o país em 1990, Cr$2,7 bilhões foram para Alagoas. A informação foi dada pela própria ministra Margarida Procópio, ontem em Maceió. Ela percorreu 25 obras da prefeitura de Maceió financiadas pelo governo federal.

GOVERNO ELABORA PLANO PARA MELHORAR IMAGEM

O governo federal tem um projeto para "adotar uma linha de comunicação unificada para a divulgação de todas as suas ações". Os meios publicitários estimam a verba para o plano em Cr$960 milhões. A contratação da jornalista Belisa Ribeiro para cuidar da imagem do governo indica perda de poder do secretário da Presidência, Cláudio Vieira (FSP).

HOMEM TENTA ATACAR COLLOR USANDO FACA

José Darionísio Pereira da Cruz, 33 anos, foi preso ontem acusado de tentar esfaquear o presidente Fernando Collor durante a descida da rampa do Palácio do Planalto, à tarde. O ministro da Justiça, Jarbas Passarinho, disse que na "tentativa de atentado" Cruz levava uma carta dizendo que queria só dar "um susto". Collor ironizou: "Susto teria ele se eu tivesse percebido". Cruz, que está preso na Polícia Federal de Brasília, é pernambucano e dizia na carta que estava desempregado.

SUPERÁVIT DO TESOURO FOI OBTIDO COM RETENÇÃO DE VERBAS

O superávit de Cr$4 bilhões do Tesouro Nacional no primeiro bimestre, anunciado como um feito do governo, foi obtido com a retenção de Cr$175 bilhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Os recursos vêm do PIS/Pasep e se destinam ao seguro-desemprego e BNDES. Sem o artifício, o Tesouro teria um déficit de cerca de Cr$170 bilhões. A arrecadação do PIS até fevereiro atingiu Cr$134 bilhões; Cr$67 bilhões foram para o FAT. Em 1990, o governo deixou de repassar Cr$108 bilhões.

BC REGULAMENTA TRANSFERÊNCIA DE TITULARIDADE

O Banco Central divulgou ontem a circular 1.918, regulamentando três novos casos de transferência de titularidade. São casos de determinação judicial; retorno de importância em cruzados novos remetidos para quitação de imóvel da União ou do SFH (Sistema Financeiro da Habitação); e aquisição de imóveis de propriedade de fundações que integram o SFH (FSP).

CRÉDITO PARA O PLANTIO DE TRIGO

O ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, anunciou ontem que o próximo plantio de trigo terá uma linha de crédito de Cr$80 bilhões. Ele informou ser de Cr$27,888 o novo preço mínimo da cultura, cujo valor básico de custeio (VBC) foi reajustado em 22,5% (FSP).

BRASIL ESTUDA RETORNO AO ACORDO DO CAFÉ

O governo brasileiro pode voltar a participar de um acordo internacional para elevar os preços do café com o objetivo de dificultar a atuação do narcotráfico da Colômbia. Além do próprio governo colombiano, os EUA estão pressionando o Brasil para que retorne ao acordo de cláusulas econômicas da OIC (Organização Internacional do Café). Se o Brasil voltar ao acordo, a reação do mercado internacional deve ser de elevação dos preços do café.

GOVERNO RETÉM VERBAS DO SEGURO-DESEMPREGO

O Ministério da Economia está retendo verbas destinadas ao seguro- desemprego e a investimentos sociais para aumentar o superávit do Tesouro. O dinheiro bloqueado-- que por lei deveria ser repassado ao Fundo de Amparo do Trabalhador-- chegava a Cr$162 milhões em fevereiro. Os deputados do PT (Partido dos Trablhadores) Aloyzio Mercadante (SP) e Paulo Rocha (PA) querem exigir o repasse na Justiça (FSP).

RODOVIÁRIOS DE SÃO PAULO ENTRAM EM GREVE

Motoristas e cobradores da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) e das empresas particulares entraram em greve ontem reivindicando 50,56% de reposição salarial-- o que elevaria o salário inicial dos motoristas de Cr$107 mil para Cr$161,1 mil e o dos cobradores, de Cr$61,9 mil para Cr$93,19 mil. Segundo a direção da CMTC, circularam apenas 250 ônibus, dos cerca de oito mil que compõem a frota. Foram depredados 98 ônibus e a PM, que mobilizou 500 homens e 14 caminhões para auxiliar no transporte, prendeu 29 grevistas (JB).

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