EMPRESÁRIOS DIZEM QUE CONGELAMENTO NÃO RESOLVE

Os empresários de supermercados, responsáveis por 80% do abastecimento do país, já admitem a possibilidade de mudança do presidente da República e do ministro da Economia, hipóteses de que não cogitavam há bem pouco tempo. Mas não querem ouvir falar de congelamento ou tabelamento para conter a alta acentuada dos preços nos últimos meses, provocada pela crise política. Classificam a medida ultrapassada, por estimular o desrespeito da indústria e do atacado, o desabastecimento no varejo e a explosão dos preços devido à defasagem.

VENDA DA YPF QUEBROU TABU DO MONOPÓLIO DO PETRÓLEO

A privatização da Yacimientos Petroliferos Fiscales (YPF)-- a PETROBRÁS argentina, decidida pelo Congresso daquele país semana passada-- pode agilizar a quebra do monopólio estatal da extração e refino de petróleo no Brasil, via privatização total da PETROBRÁS ou pela abertura desse mercado ao setor privado. A afirmação é do presidente do BNDES, Eduardo Modiano. Para ele, a venda da estatal argentina quebra o tabu do petróleo na América Latina. No Brasil e no México, a privatização da extração e refino dependem de emenda constitucional.

GOVERNISTAS DECIDEM IR AO PLENÁRIO VOTAR

O Palácio do Planalto anunciou ontem uma mudança radical em sua estratégia para a votação do Impeachment" na Câmara dos Deputados: não irá mais retirar seus aliados do plenário. "Vamos bater chapa na terça- feira. Já temos 220 deputados dispostos a votar agora e em aberto contra o impeachment do presidente Fernando Collor de Mello", disse ontem o porta- voz da Presidência, Etevaldo Dias. Na oposição, a coordenadora da comissão pró-Impeachment", Roseana Sarney (PFL-MA), disse que a oposição viveu "um dia glorioso".

SECRETÁRIAS APÓIAM O "IMPEACHMENT"

As secretárias brasileiras se manifestaram ontem favoráveis ao impeachment do presidente Collor. Reunidas em um encontro nacional em Manaus (AM), as secretárias enviam no dia 30 um documento ao Congresso Nacional apoiando o Impeachment". Dia 30 é o Dia da Secretária (FSP).

ITAMAR DIZ QUE NÃO VAI ADOTAR A DOLARIZAÇÃO DA ECONOMIA

O vice-presidente da República, Itamar Franco, afirmou ontem, em Brasília (DF), que "não há ministério, não há ministros e não há dolarização". As duas primeiras negativas são óbvias: como o presidente da República ainda é Fernando Collor de Mello, não pode haver mesmo, formalmente, um ministério Itamar. Mas a terceira negativa é um recado ao mercado: o fato de que o economista André Lara Rezende foi convidado para conversar, na semana passada, com um grupo de parlamentares ligados a Itamar fez surgir o rumor inevitável de que ele era ministeriável.

SINDICALISTAS SE REÚNEM EM BUENOS AIRES

Representantes de sindicatos de metalúrgicos do Brasil (CUT), Uruguai, Argentina, Paraguai e Chile se reuniram ontem em Buenos Aires. Eles analisaram os acordos siderúrgicos e automobilísticos no âmbito do MERCOSUL. A imprensa não forneceu outras informações (FSP).

CEMITÉRIO ISRAELITA É PICHADO COM EMBLEMA NAZISTA

Muros e túmulos do Cemitério Israelita de Porto Alegre (RS) amanheceram ontem pichados com cruzes suásticas e ofensas aos judeus, como "seis milhões foi pouco"-- referência aos mortos pelos nazistas no holocausto. Ninguém reivindicou a autoria. O ano novo judaico (5753) se iniciou ontem no por do sol. "Começamos preocupados, mas sem medo", disse o rabino Henry Sobel, presidente do rabinato da Congregação Israelita Paulista. Ele está em contato com a Polícia Federal e espera rápida apuração das pichações.

EX-JOGADOR DIZ QUE FOI BARRADO POR SER NEGRO

O ex-jogador de futebol Paulo César Lima-- o Paulo César Caju, como ficou conhecido na década de 70-- registrou, na madrugada de ontem, na 13a. Delegacia de Polícia de Copacabana (zona sul do Rio de Janeiro) queixa de discriminação racial contra seguranças da boate Vamp. Ele afirmou que, por ser negro, foi impedido de entrar na boate (FSP).

PAULISTAS LINCHAM ASSALTANTE

Róbson Magalhães Geraldo, de 19 anos, foi amarrado e morto a pauladas e pedradas por cerca de 50 pessoas. O linchamento aconteceu anteontem à noite em Itaquaquecetuba, na Grande São Paulo. Geraldo tinha participado de um assalto com o adolescente W.A.S., 17 anos, que fugiu depois de atirar em Nair Adão de Almeida, 43 anos, e na perna de Carlos Pinto de Almeida, 22 anos, filho de Nair (FSP).

MILITARES ACERTAM SAÍDA COM CIVIS

Além de acatar a decisão do Congresso no processo de Impeachment", seja ela qual for, os três ministros militares resolveram assumir o compromisso de fazer com que a decisão tomada pelos parlamentares seja cumprida a qualquer custo, mesmo se for necessário o uso da força. Segundo um influente militar que atua no governo, essa decisão contribui para a adesão dos militares ao compromisso assumido pelos demais ministros de só deixarem seus postos depois da votação do Impeachment" e do desfecho da crise política.

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