ELEIÇÕES MUDAM PERFIL DO CONGRESSO

A apuração dos votos, embora ainda não concluída, indica que as eleições de três de outubro mudaram o perfil político-partidário do país e a correlação de forças no Congresso Nacional. A coligação do PSDB com o PFL e o PTB, que elegeu o presidente da República, segundo as projeções, terá 155 deputados federais e 33 senadores e poderá formar importante bloco de sustentação do novo governo. Os partidos considerados de centro-esquerda, que incluem o próprio PSDB, além do PT e PDT, devem ampliar sua representação no Congresso e também no comando dos estados.

TASSO QUER ESTADO "PEQUENO E FORTE"

O governador eleito do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), defende que o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso deva ter um perfil social- democrata. Para ele, a idéia do Estado neoliberal não vai prevalecer no governo do PSDB. "Nós queremos um Estado pequeno, mas forte, intervindo como regulador dos desníveis de renda", disse. Para ele, a reforma da Constituição e implementação de um plano social de emergência devem ser tarefas inadiáveis de FHC (FSP).

LULA QUER DERRUBAR OS PRECONCEITOS

Luiz Inácio Lula da Silva retomará as caravanas da cidadania a partir de janeiro com dois objetivos: reorganizar o PT de olho no futuro e derrubar preconceitos. Lula tentará convencer seus interlocutores de que o PT tem histórico de administrações bem-sucedidas, citando casos como Vitória (ES), Santos (SP), Diadema (SP) e Porto Alegre (RS). O petista se empenhará também em atacar o conceito generalizado de que um operário não pode ser presidente da República. "É um preconceito contra o povo, contra o pobre, que às vezes parte do próprio povo", afirma Lula (JB).

MACIEL DIZ QUE PFL NÃO SERÁ OBSTÁCULO

O vice-presidente eleito, senador Marco Maciel (PE), garante que o PFL está afinado com o programa do PSDB-- "que ajudou a elaborar"-- e não será empecilho para o resgate da dívida social, prometido pelo presidente eleito, senador Fernando Henrique Cardoso. "Nossa aliança foi programática, e não pragmática", assegura. Maciel acredita que a campanha eleitoral já definiu quais partidos farão oposição ao governo e destaca que FHC não terá maioria no Congresso, mas confia na capacidade do futuro presidente em reverter a situação.

TOCANTINS COMPLETA SEIS ANOS DE EXISTÊNCIA

Seis anos depois de criado, o Estado do Tocantins ainda não se livrou da imagem de estado violento e miserável. No entanto, nos seus 277,3 mil quilômetros quadrados, sente-se mais falta da lei do que de esgotos. Seu criador e governador, Wilson Siqueira Campos, já vendeu terras públicas a preço de cerveja e se notabilizou por ter levado à região todos os vícios políticos e administrativos de estados mais antigos do país. A capital, Palmas, já vive o problema das ocupações, e, administrativamente, o estado está destruído (JB).

SÃO PAULO EM CRISE JÁ DEVE US$30 BILHÕES

O Estado de São Paulo vive a maior crise de sua história. Atolado em uma dívida de US$30 bilhões, o estado precisaria multiplicar por quatro sua receita, deixar de pagar salários e de investir em obras para pagar o compromisso. Levantamento da consultoria Austin Asis revela que as duas principais estatais paulistas-- CESP e ELETROPAULO-- têm nível de endividamento superior ao seu patrimônio. Os dois bancos do estado-- BANESPA e Nossa Caixa-- também enfrentam graves problemas.

CUT NÃO PARTICIPARÁ DO GOVERNO DE FHC

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) não vai participar da discussão sobre a indicação de nomes para cargos em ministérios do governo do virtual presidente eleito, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), segundo afirmou ontem o presidente da entidade, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho. Isso prejudicaria nossa independência. Não participaríamos nem se o presidente eleito fosse o Lula", disse.

OS NÚMEROS DA ELEIÇÃO PRESIDENCIAL

O boletim divulgado ontem à noite pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os resultados parciais da eleição presidencial é o seguinte: -- Total de votos apurados: 83,6% (79.237.986) -- Abstenção: 17,3% -- Fernando Henrique Cardoso (PSDB) - 54,6% (29.095.241) -- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - 26,9% (14.333.652) -- Éneas Carneiro (Prona) - 7,1% (3.788.711) -- Orestes Quércia (PMDB) - 4,6% (2.428.567) -- Esperidião Amin (PPR) - 3,0% (1.613.336) -- Leonel Brizola (PDT) - 2,9% (1.537.616) -- Carlos Gomes (PRN) - 0,6% (312.095) -- Almirante Fortuna (PSC) - 0,4% (187.502) -- Votos em branco

LUCENA RECORRE AO TSE PARA GARANTIR REELEIÇÃO

Segundo candidato mais votado para o Senado Federal pela Paraíba, o presidente do Congresso Nacional, senador Humberto Lucena (PMDB), iniciou mais uma batalha para garantir sua reeleição. Ontem, a defesa de Lucena protocolou recurso extraordinário contra a decisão do TSE, que cassou seu registro de candidatura no mês passado. Na apelação, apresentada ao próprio TSE, Lucena quer que o caso seja submetido à apreciação do STF. O recurso sustenta que houve interferência do Poder Judiciário no Legislativo.

NELSON CARNEIRO ACUSA MARCELLO ALENCAR DE TRAIÇÃO

Depois de 65 anos de vida pública, terminou em lágrimas a carreira política de Nelson Carneiro (PP-RJ), cinco vezes deputado federal-- duas por seu estado natal, a Bahia, e três pelo extinto Estado da Guanabara-- e três vezes senador pelo Rio de Janeiro. O mais velho parlamentar do Brasil, de 84 anos, chorou de indignação, ontem, diante de duas dezenas de jornalistas, depois de afirmar que a sua reeleição não aconteceu porque foi traído pelo companheiro de coligação e candidato a governador, Marcello Alencar (PSDB).

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