CUSTO DAS USINAS NUCLEARES ELEVAM-SE A US$4,5 BILHÕES

Os custos financeiros das duas primeiras usinas nucleares do acordo Brasil/Alemanha-- Angra 2 e Angra 3-- elevam-se hoje a US$4,5 bilhões, superando em 128% o custo direto das duas unidades, orçadas em US$3,5 bilhões, valores que levam o presidente da NUCLEBRÁS, Licínio Seabra, a constatar que daria para construir três usinas com o dinheiro que o país gastaria em duas. O preço das usinas-- US$8 bilhões-- dobrou desde que foi firmado o acordo nuclear, em 1975, e o custo financeiro estimado inicialmente em 38% do valor da unidade foi sendo gradativamente aumentado para 45%, 65% e agora chega a 128%. Este aumento de preços decorre dos atrasos no programa nuclear. Angra 2 que deveria entrar em operação em 1982, não iniciou ainda a montagem dos equipamentos e só deverá estar concluída em meados de 1993. E Angra 3, que deveria operar em 1983, não passou da terraplanagem do terreno. A dívida da NUCLEBRÁS a empreiteiros e fornecedores eleva-se a Cz$700 milhões, revelou Seabra, que ainda precisa de Cz$8 bilhões para fechar o ano, valor que pode ser reduzido para Cz$5 bilhões, mantendo-se um programa mínimo de investimentos. Com o pagamento do serviço da dívida externa, o dispêndio este ano será equivalente a Cz$4,3 bilhões. No entanto, esse gasto limita-se apenas à rolagem da dívida, pois se fosse pagá-la a parcela seria da ordem de Cz$30 bilhões, referentes a um endividamento externo de US$3 bilhões (JB).