ULYSSES E LYRA SABIAM QUE ADVOGADO ESTAVA MARCADO PARA MORRER

O suplente de deputado federal Paulo Fontelles (PMDB/PA), assassinado no último dia 11 no Pará, era advogado de um grupo de trabalhadores rurais acusados do assassinato do filho do vice-presidente nacional da UDR (União Democrática Ruralista), Jairo de Andrade. Morto com três tiros a 20 km de Belém, Paulo Fontelles deixou registros claros sobre quem seriam os responsáveis pela sua morte, se ela acontecesse. Ele figurava em duas listas negras da região e estava marcado para morrer há pelo menos um ano e meio. Uma das listas foi inclusive apresentada ao presidente da Câmara, Ulysses Guimarães, e ao então ministro da Justiça, Fernando Lyra, no começo de 1986. O autor da denúncia, João Martins, morador de Rio Maria, no Pará, declarou na ocasião que sua esposa tinha presenciado uma reunião entre os prefeitos de Conceição do Araguaia (Orlando Mendonça de Lima) e Rio Maria (Adilson Carvalho Laranjeira), na qual ficou decidido que seriam assassinados, além de Paulo, dois líderes dos trabalhadores: João Canuto de Oliveira, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Rio Maria, e o deputado federal Ademir Andrade, do PMDB paraense. Canuto foi assassinado no ano passado, Paulo no último dia 11. O deputado Ademir é o único da lista que ainda está vivo. A denúncia de João Martins jamais foi investigada. Em resposta a ela, foi expedido um ofício do Ministério da Justiça, informando que o então governador do Pará, Jáder Barbalho, seria colocado a par do caso. Não houve sequer depoimento dos denunciantes, mesmo depois que o primeiro da lista, João Canuto, foi assassinado. Os prefeitos que teriam decidido o destino de Paulo e Canuto jamais sofreram qualquer incômodo e continuam a liderar os movimentos dos latifundiários na região sul do Pará (Senhor no.326).