WHIRPOOL COMPRA 20% DO CAPITAL VOTANTE DA BRASMOTOR S.A

A Whirpool Corporation, grupo norte-americano do setor de aparelhos eletrodomésticos, comprou, no ano passado, cerca de 20% do capital votante da Brasmotor S/A. A Whirpool fez questão em manter sigilo sobre a operação, o que está causando uma "certa estranheza" no mercado de capitais. O grupo norte-americano deixou de cumprir a Instrução no. 20" da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que obriga toda pessoa física ou jurídica que adquirir mais de 5% das ações com direito a voto de uma companhia aberta a divulgar publicamente a operação. "Em casos de elevado grau de dispersão das ações da companhia no mercado, o comprador pode ser dispensado da divulgação pública pela CVM, desde que declare não ter intenção de alterar a composição do controle acionário ou a estrutura administrativa da sociedade". Mas de qualquer maneira, tem de comunicar a aquisição à CVM. No caso da Whirpool, isso não foi feito. Somente na semana passada é que a Whirpool, representada pelo escritório de advogacia Pinheiro Netto, de São Paulo, confirmou à CVM a compra e informou que os principais vendedores foram o Banque de Paris et des Pays-Bas e o Credit Suisse de Zurich, os quais constavam nos registros da Brasmotor de fevereiro último como detentores, respectivamente, de 1,3 bilhão e 630 milhões de ações ordinárias dessa companhia, representando 10,53% e 5,14% do seu capital votante. A Whirpool já tinha participações acionárias de 20% a 40% do capital votante de três empresas do grupo Brasmotor que atuam no setor de eletrodomésticos: Brastemp, Embraco e Cônsul. Numa assembléia realizada dia 23 de abril último, os acionistas da Brasmotor ampliaram de sete para dez o número de membros do Conselho de Administração da companhia. E um dos novos três conselheiros é Samuel Merit Bateman Júnior, vice-presidente e executivo da Whirpool do Brasil Ltda. Ele passou a integrar também os Conselhos da Brastemp, Embraco e Cônsul (Senhor no.325).