VALEC REPETE ERROS COMETIDOS EM CARAJÁS

Não é a primeira vez que Valec Engenharia constrói ferrovias sem projeto final de engenharia, sem estudos detalhados do custo da construção e sem análise de viabilidade econômica. Quando ela, como subsidiária da Companhia Vale do Rio Doce, iniciou a construção da ferrovia de 930 km ligando a mina de ferro Carajás (PA) ao terminal de Ponta Madeira, próximo a São Luís (MA), a situação geral do projeto não diferia muito do estágio e, que se encontram os estudos para a construção da Ferrovia Norte-Sul-- um prolongamento da ferrovia de Carajás até Brasília, partindo de uma conexão em Açailândia, no Maranhão. Em documento denominado "Projeto Carajás-- Análise do Requerimento de Concessão (1975)", classificado como "secreto", "dado ao caráter polêmico que a matéria abordada envolve e suas implicações na política governamental", o então presidente da Empresa Brasileira de Planejamento em Transportes (GEIPOT), Cloraldino Soares Severo (depois ministro dos Transportes no período 82/85), declara textualmente que "na análise das características técnicas da ferrovia, constata-se a inexistência, até esta data (13 de outubro de 1975), de projeto final de engenharia". O documento conclui que a alternativa que apresenta menores custos totais de investimentos e
9031 operacionais é a ferro-hidroviária com transbordo em Tucuruí-- o minério iria por 320 km de ferrovia até Tucuruí e por 430 km do rio Tocantins até um terminal na ilha de Guarás (PA). Nunca foi publicado um estudo final sobre a ferrovia. Segundo documento do GEIPOT, a alternativa ferro-hidroviária seria 9,8% mais barata, considerando-se os custos ferroviários estimados pela Amazônia Mineração S/A (AMZA), concessionária da mina, que o mesmo documento, considera "altamente subestimados". O documento do GEIPOT veio a público pela primeira vez em dezembro de 1979. Naquela época a Valec já havia sido afastada do comando do projeto ferroviário afinal concretizado. As obras foram concluídas em 1983 sob a direção da Superintendência do Projeto Carajás (SUCAR), criada no governo Figueiredo. Segundo o presidente da Valec, Paulo Vivacqua, as projeções para o cálculo dos custos da Ferrovia Norte-Sul tomaram como base o custo de construção de Carajás (FSP).