ANÁLISE DA PORTOBRÁS DIZ QUE HIDROVIA É VIÁVEL

As declarações do ministro dos Transportes, José Reinaldo Tavares, anteontem, no Senado Federal, relativas aos investimentos necessários para o funcionamento da hidrovia no Rio Araguaia, não coincidem com os estudos técnicos realizados desde 1966. Quem garante isso é a ex-diretora do Departamento de Vias Navegáveis da PORTOBRÁS (Empresa Brasileira de Portos), Isa Rondon, recentemente aposentada, após ter ocupado a função entre 1976/1986. "Ao contrário do que o ministro disse, os estudos desenvolvidos pela PORTOBRÁS indicam que, atualmente, poderiam ser aproveitados, sem a construção de barragens, um trecho de 968 km, entre Aruanã e Conceição do Araguaia, em Goiás", afirmou Rondon. Segundo Isa Rondon, que participou de todos os estudos realizados nos últimos anos, com alguns poucos melhoramentos, como dragagens em alguns trechos e derrocagens, seria possível transportar no trecho, facilmente, 100 milhões de toneladas de grãos. "Numa primeira etapa, entre 90 e 94, os estudos do Programa de Desenvolvimento Integrado do Araguaia-Tocantins (PRODIAT) indicam a necessidade de dragagens de 100 mil metros cúbicos por ano", afirmou. Progressivamente, esse volume poderia ser ampliado até chegar a 500 mil metros cúbicos por ano, quando a navegação na região estivesse funcionanado a pleno vapor. Para a ex-diretora da PORTOBRÁS, o ministro se equivocou quanto a necessidade de se construir três barragens neste trecho de quase mil km. "É até recomendado pelo PRODIAT que a navegação neste trecho seja feita em corrente livre", esclarece. Para ela, uma outra vantagem da hidrovia, é que pode ser implantada gradativamente. Todas as melhorias previstas pelo PRODIAT, estão orçadas, segundo ela, em US$400 milhões (FSP).