Foi fraudulenta e determinada por corrupção a concorrência pública, cujo resultado o governo divulgou ontem, para a construção da Ferrovia Norte-Sul (que ligará o Distrito Federal ao Maranhão). O jornal Folha de São Paulo publicou, há cinco dias, e antes de serem abertos (pela estatal Valec-- responsável pela obra-- e pelo Ministério dos Transportes) os envelopes com as propostas concorrentes, os nomes das construtoras e seus respectivos lotes na ferrovia. A publicação foi feita em forma de anúncio na seção de classificados do jornal paulista. As empresas vencedoras da concorrência são as seguintes: lote 1A-- Norberto Odebrecht; 2A-- Queiroz Galvão; 3A-- Mendes Jr.; (não existe o lote 4A); 5A-- C. R. Almeida; 6A-- Serveng; 7A-- EIT; 8A-- Cowan; 9A-- Ceesa; 1B-- CBPO; 2B-- Camargo Corrêa; 3B-- Andrade Gutierrez; (4B não existe); 5B-- Constran; 6B-- Sultepa; 7B-- Construtora Brasil; 8B-- Alcindo Vieira; 9B-- Tratex; 10B-- Paranapanema; e 11B-- Ferreira Guedes. Ao lado do nome dessas empresas e das que se classificaram abaixo delas, em cada lote, no resultado oficial figura o desconto que cada uma oferecia em relação ao valor da respectiva obra, segundo orçamento da Valec e do Ministério dos Transportes. Tal desconto é, sem variação entre as vencedoras e as perdedoras de cada lote, de 10%. De imediato, isto demonstra que o preço estabelecido pelo governo era tão alto que todas as empresas puderam reduzi-lo em 10%. Como o conjunto dos lotes foi orçado pela Valec e pelo Ministério dos Transportes em quase US$2,5 bilhões, vê-se que o governo se dispunha a gastar mais US$250 milhões, ou Cz$7,250 bilhões. Em segunda instância, e já tendo havido empate total nos descontos, por aí ficou provado que houve apenas divisão prévia da obra entre as empreiteiras. A definição das vencedores foi feito pela Valec e pelo Ministério dos Transportes, atribuindo pontos a cada empresa (FSP).