PERU E EQUADOR BUSCAM A PAZ NO RIO DE JANEIRO

Representantes de alto nível do Peru e do Equador reúnem-se, hoje, no Rio de Janeiro (RJ), para tentar resolver, diplomaticamente, a disputa fronteiriça que levou os dois países a uma guerra não declarada na madrugada do último dia 27. Além dos enviados de Lima e Quito, participarão do encontro o ministro interino das Relações Exteriores do Brasil, Sebastião Rego Barros, e os embaixadores dos EUA, da Argentina e do Chile, países fiadores do Protocolo do Rio, de 1942, que estabelece a fronteira entre os dois países andinos. Os dois países disputam uma faixa de 78 km em suas fronteiras. Ontem, Peru e Equador reforçaram suas posições na divisa e Quito criou um imposto de guerra. O Equador recusou ontem dialogar com o Peru antes de um cessar-fogo incondicional. Foi uma resposta ao convite por parte do Peru feito ao vice- chanceler equatoriano para que viajasse a Lima para se encontrar com seu colega peruano. "Não me sentarei, nem um representante meu, à mesa de negociações enquanto não houver um cessar-fogo incondicional", disse o presidente equatoriano, Sixto Durán-Ballén, diante de manifestação de apoio em Quito. O presidente peruano, Alberto Fujimori, foi ontem à região do conflito para acompanhar de perto as operações militares. O Equador informou ontem que o Exército peruano suspendeu os ataques. No dia anterior, equatorianos haviam acusado o Peru de praticar uma "ofensiva maciça". Mas as agências de notícias internacionais, citando militares peruanos, informaram que violentos combates voltaram a ocorrer ontem. Não há informações sobre vítimas. O Peru estaria usando tropas de elite treinadas para luta antiguerrilha. Os dois países evacuaram ontem populações da região. As Forças Armadas peruanas admitiram terem perdido um helicóptero no último dia 29, que teria causado cinco mortes. Foi o primeiro reconhecimento oficial de perdas por parte do Peru desde o início do conflito. O Peru informa ter feito as tropas equatorianas recuarem, recuperando território no vale do rio Cenepa que teria sido invadido nos últimos dias. O Equador afirma ter derrubado não um, mas dois helicópteros. Nega ter perdido território para o Peru. Os dois países enviaram ontem cartas ao Conselho de Segurança da ONU, nas quais afirmam serem vítimas de agressão. O governo do Equador anunciou medidas econômicas para fazer face ao confronto armado com o Peru, alegando a "defesa da integridade nacional". As principais medidas são: -- contribuição compulsória de dois dias de vencimentos dos funcionários públicos. -- Criação de um imposto sobre todos os veículos em circulação no país, equivalente a 2% do valor de mercado. -- Eliminação das insenções do Imposto de Valor Agregado, a não ser para remédios e produtos da cesta básica. -- Estrito controle dos gastos públicos que não estejam dirigidos à emergência nacional. -- Redução a quatro dias do prazo dado aos bancos comerciais para que recolham os tributos arrecadados. -- manter operação permanente de controle da arrecadação de impostos (FSP) (JB) (O ESP).