O Ministério da Defesa equatoriano acusou as Forças Armadas do Peru de realizarem uma "ofensiva maciça", ontem, numa área de selva na fronteira dos dois países. Os peruanos teriam usado morteiros, helicópteros e aviões. O Comando Conjunto informou ter derrubado um helicóptero peruano. Ele teria sido abatido ao atacar a posição Tenente Hugo Ortiz, na fronteira entre os dois países. Sete peruanos teriam morrido. O Peru não comentou. Segundo as autoridades equatorianas, morreram 27 soldados do Peru e três do Equador. Funcionário do governo peruano citado pela TV Panamericana (de Lima) negou as mortes. Ontem, a televisão de Quito mostrou o primeiro enterro de um soldado equatoriano. Héctor Efraín Pilco, que teria morrido nos combates contra o Peru. Em Lima, a rede de televisão Panamericana confirmou o ataque peruano. Segundo o Peru, as tropas peruanas, "recuperaram três postos" de vigilância na fronteira com o Equador, que haviam sido invadidos pelos equatorianos. O conflito ocorre principalmente numa área não-demarcada da fronteira. O ataque de ontem denunciado pelo Equador ocorreu após 15 horas de relativa calma. As escaramuças podem retardar esforços diplomáticos dos avalistas do Protocolo do Rio de Janeiro-- Argentina, Brasil, Chile e EUA-- e da Organização dos Estados Americanos (OEA). A possibilidade de uma escalada do confronto está mobilizando a diplomacia internacional, empenhada na busca de uma solução pacífica. Brasil, Chile, Argentina e EUA estão aguardando apenas um sinal do Peru e do Equador para designar uma missão para mediar a crise. O presidente do Equador, Sixto Durán-Ballén, disse que seu país é o agredido, manteve suas posições e vai resistir. O comando militar do Peru afirmou que os combates estão se realizando dentro de seu território. As Forças Armadas do Peru são maiores e mais bem equipadas que as do Equador, mas o difício terreno da região, montanhoso e coberto por florestas, tende a diminuir a importância dessa superioridade material. Um dos trunfos peruanos é a maior quantidade de helicópteros e canhões, armas de apoio que podem significar a diferença em uma ofensiva rápida para tomar o território em disputa. Helicópteros permitem transportar tropas com rapidez e um bombardeiro pela artilharia facilita o avanço dos soldados. Mas os equatorianos têm 220 pequenos mísseis britânicos Blowpipe capazes de derrubar helicópteros. O Equador tem apenas 70 canhões de calibre de 105 a 155 milímetros. Já os peruanos têm mais de 250 destes calibres, além de outras 50 peças originadas da antiga União Soviética. Outro trunfo peruano é a experiência em combate de suas tropas, que há anos lutam com a guerrilha maoísta do Sendero Luminoso. Nessas condições, o papel da infantaria ganha relevância. Os dois exércitos são bem equipados com armas importantes para os infantes e adequadas à luta no mato, como morteiros e metralhadoras. O conflito armado entre Equador e Peru tem como cenário um território de 340 km2 onde já foram descobertas e são em parte exploradas jazidas de ouro, urânio e petróleo. O conflito é caro para os dois países pobres. O PIB por habitante no Equador é de US$1.084; e o do Peru é de US$2.013. O analfabetismo nos dois países fica em torno de 14% da população. O Military Year Book, publicação da ONU de 1990, diz que o investimento militar no Peru naquele ano foi de US$2,3 bilhões (4,9% do PIB daquele ano) e o do Equador, de US$234 milhões (2,6% do PIB) (FSP) (JB) (O Globo).