PAÍS GASTA R$330 MILHÕES PARA EVITAR CORRUPCAO

O contribuinte gasta cerca de R$330 milhões por ano com órgãos do governo e tribunais que têm como tarefa evitar, investigar e punir aqueles que provocam prejuízos aos cofres públicos. Os próprios dirigentes da administração federal apontam agora a ineficiência dessa rede anticorrupção e tentam um novo modelo para vigiar os recursos e o patrimônio. Esse dinheiro gasto pela rede anticorrupção daria para pagar 4,7 milhões de aposentadorias a R$70,00-- o salário-mínimo. A despesa com a rede é equivalente ao prejuízo estimado de 11 escândalos do Orçamento-- um dos últimos grandes casos de corrupção no país, em 1993. A ação dos funcionários públicos envolvidos nesse escândalo, aliás, nunca foi sequer registrada pelas secretarias de controle interno, que ficam localizadas dentro dos ministérios com a missão de evitar irregularidades. Estas secretarias, também conhecidas como Cisets (Controle Interno Setorial), são responsáveis pela vistoria na contabilidade das despesas da máquina federal. Contam, em alguns casos, com a colaboração do serviço de inteligência da SAE (Secretaria de Assuntos Estratégicos). O grau de eficiência desta rede anticorrupção é considerado muito baixo pelos dirigentes da administração federal. Nos últimos anos, essa estrutura facilitou o roubo dos recursos públicos, diz Domingos Poubel de Castro, que dirige a Secretaria Federal de Controle, órgão responsável pela coordenação de todos os Cisets. Uma das principais falhas do sistema interno de vigilância é a lentidão: está sempre muitos passos atrás do roubo. Não há fiscalização simultânea nos gastos da administração federal. Por exemplo: se o governo compra uma tonelada de material escolar por um preço acima dos custos de mercado, somente um mês depois-- no mínimo-- é possível saber se fez ou não um mau negócio para o contribuinte. O controle interno não age de forma simultânea, apenas faz a auditoria e contabilidade posteriormente, o que significa praticamente a falta de vigilância (FSP).