Um porta-voz do Exército equatoriano informou ontem que pelo menos 20 soldados do Peru e três do Equador foram mortos no último dia 27 em conflitos fronteiriços entre os dois países. Segundo o coronel equatoriano Pablo Biteri, cinco soldados do Equador ficaram feridos e um peruano foi aprisionado. Viteri afirmou que os combates ocorreram em Cueva de los Tayos (350 km ao sul de Quito) com tropas do Peru que tinham atravessado a fronteira. O comando conjunto das Forças Armadas do Equador anunciou que tropas peruanas atacaram anteontem pelo menos seis destacamentos fronteiriços equatorianos. O presidente do Equador, Sixto Durán-Ballén, havia declarado estado de emergência na noite de anteontem. O decreto permite a cobrança antecipada de impostos, fazer gastos extraordinários com defesa, mudar a sede de governo a qualquer ponto do país, fechar portos, estabelecer censura prévia à imprensa e suspender as garantias constitucionais. O presidente peruano, Alberto Fujimori, viajou de surpresa durante a madrugada para a fronteira com o Equador, onde tropas dos dois países se concentram. Ele planeja "reunir-se com os comandantes militares da região", segundo um porta-voz. O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), César Gaviria, foi ontem a Quito (Equador) e se dirigia ao Peru para mediar o problema junto aos dois presidentes. Fujimori, entretanto, descartou a mediação da OEA e das Nações Unidas no conflito. Os peruanos afirmam que seu objetivo é se ater à fronteira do Protocolo do Rio de Janeiro, que estabeleceu os limites entre Peru e Equador em 1942, tendo como países garantidores o Brasil, a Argentina, o Chile e os EUA. Ontem, o presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso, conversou por telefone com os presidentes do Peru e do Equador, tendo ouvido de ambos que estão fazendo esforços para evitar o agravamento da situação na fronteira entre os dois países (FSP) (JB).